Argentina PLA amplia exportação a partir da subsidiária brasileira

Mais competitiva a partir da desvalorização do real em 2015, a subsidiária brasileira da fabricante argentina de pulverizadores agrícolas autopropelidos PLA começa a se transformar em uma base de exportação e a absorver parte das encomendas antes atendidas pela matriz a partir de Las Rosas, na Província de Santa Fé. Os dois primeiros equipamentos foram embarcados neste ano para a Romênia, mas para 2016 a estimativa é que as vendas externas já alcancem entre 15 e 20 unidades.

Segundo o diretor comercial e de marketing da PLA do Brasil, Renato Silva, as exportações da fábrica de Canoas (RS) são favorecidas, além do câmbio, por linhas inexistentes na Argentina como o Proex, do Banco do Brasil, que financia as operações em até três anos com juros atrelados à Libor. A subsidiária também aproveita a rede de revendedores nas Américas do Sul e do Norte e no Leste Europeu.

A PLA do Brasil vai se especializar nas vendas externas de equipamentos com transmissão hidrostática, enquanto a matriz seguirá exportando os pulverizadores com transmissão mecânica. Conforme Silva, já há quatro encomendas fechadas para a Romênia no primeiro bimestre e produtos em demonstração em revendas no Uruguai e no Paraguai.

O mercado externo é uma das alternativas da empresa para driblar a retração do mercado brasileiro, que em 2014 já havia caído cerca de 30%, para 2,6 mil pulverizadores, e deve fechar este ano entre 1,9 mil e 2 mil máquinas, acredita o executivo. Para 2016, ele espera uma leve recuperação, para 2,1 mil unidades.

Conforme o diretor, 2015 foi um ano "atípico" para o setor no país, formado por cerca de uma dezena de fabricantes nacionais e multinacionais como Stara, Kuhn Jacto, John Deere e New Holland, devido à crise econômica. Mesmo assim, a PLA do Brasil espera encerrar o ano com receita bruta de R$ 43 milhões (pouco menos de 10% do faturamento global da empresa), ante R$ 32 milhões em 2014, enquanto o volume de máquinas vendidas deve avançar de pouco menos de 80 para quase cem.

O crescimento, de acordo com Silva, deveu-se ao lançamento, em fevereiro, do menor pulverizador do portfólio, com capacidade para 2 mil litros de defensivos, destinado a pequenos e médios produtores. Até então a PLA do Brasil tinha produtos com tanques de 2,5 mil a 3,5 mil litros e a nova máquina já respondeu por 52% do volume de vendas no ano.

Agora a empresa está desenvolvendo um equipamento ainda menor, que poderá ser enquadrado no programa Mais Alimentos, do governo federal, e outro com capacidade superior a 3,5 mil litros. Ambos serão lançados em 2016, e com a oferta de produtos ampliada mais as exportações, a PLA do Brasil espera vender em 2016 entre 115 e 130 máquinas. O faturamento deve crescer em um ritmo um pouco menor devido à alta mais forte na comercialização de equipamentos menores.

Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre
Fonte : Valor