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Aquisição do Mataboi na berlinda

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Claudio Belli/Valor

José Batista Júnior, o Júnior Friboi, adquiriu o frigorífico no fim de 2014, mas só notificou o Cade dois anos depois

Fechada em dezembro de 2014, a aquisição do frigorífico Mataboi pela JBJ Agropecuária, controlada pelo empresário José Batista Júnior – também conhecido como Júnior Friboi -, poderá ser cancelada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A possibilidade, até então desconhecida, veio à tona ontem, em nota divulgada pelo Cade. A compra do Mataboi, quarto maior frigorífico do Brasil, marcou a volta de Júnior Friboi à indústria de carne bovina. Primogênito do fundador da JBS, José Batista Sobrinho, o empresário que comanda a JBJ presidiu a própria JBS até 2005. Em setembro do ano passado, Júnior chegou a assumir o cargo de CEO da JBS por apenas um dia, período no qual o irmão Wesley Batista ficou afastado da função por decisão judicial.

As partes envolvidas na compra do Mataboi foram multadas em R$ 664 mil por consumarem a aquisição sem o aval do órgão, prática que é conhecida como "gun jumping".

Embora a aquisição tenha sido feita em 22 de dezembro de 2014, o Cade informou que só foi notificado, "intempestivamente", em 12 de dezembro de 2016. Portanto, a JBJ só notificou a aquisição após Júnior ter assumido a JBS interinamente.

O ato de concentração envolvendo o Mataboi foi considerado "complexo" em 16 de março deste ano. A superintendência-geral do Cade concluiu o parecer sobre a operação, e o despacho com o envio para análise da operação no Tribunal do Cade será publicado hoje do "Diário Oficial da União". Como o Tribunal tem até 330 dias para avaliar a operação, a decisão final será conhecida já neste ano.

Dentre as questões levantadas no parecer está a relação de parentesco de Júnior Friboi com os controladores da JBS, bem como sua passagem pela empresa no último ano que indicaria "evidências de uma potencial atuação coordenada entre as empresas após a conclusão da operação". Procurada, a JBS informou que Júnior não é sócio da empresa desde 2013 e que a JBJ é um "empreendimento exclusivamente dele".

Por Luiz Henrique Mendes e Lucas Marchesini | De São Paulo e Brasília

Fonte : Valor