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Aqua Capital conclui novo fundo e reforça planos de aquisições

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Silvia Costanti/Valor

Sebastian Popik: "É uma boa captação, sobretudo se pensarmos que 2016 foi um ano difícil no mercado brasileiro"

A Aqua Capital, gestora de fundos de participações em empresas com sede na capital de São Paulo, acaba de concluir seu segundo fundo de investimentos destinado ao agronegócio, desta vez no valor de US$ 370 milhões (cerca de R$ 1 bilhão). O montante representa mais que o dobro dos US$ 173 milhões levantados no primeiro fundo da gestora no país, em 2012.

"É uma boa captação, sobretudo se pensarmos que 2016 foi um ano difícil no mercado brasileiro", afirmou ao Valor Sebastian Popik, sócio-diretor do Aqua Capital. "E chega porque é para o agronegócio. O desempenho desse setor é muito menos volátil aos problemas da economia do país e isso é central para entender por que tanto dinheiro está entrando", disse.

O Aqua Capital Agribusiness Fund II foi constituído com 60% de capital proveniente da América do Norte, 20% da Europa, 10% do Oriente Médio e os demais 10% oriundos de investidores de países da América Latina. O "mix" engloba desde fundos de pensão, fundações e "family offices" até "endowments" – fundos que administram doações de ex-alunos e empresas para universidades – e fundos soberanos. Os tíquetes variaram entre US$ 20 milhões e US$ 100 milhões.

De acordo com Popik, o novo fundo continuará voltado a ativos localizados na América Latina, mas deverá ter no mínimo 75% dos recursos investidos no Brasil, onde estão as melhores oportunidades. Como sempre, afirmou o executivo, estão na mira empresas com alto potencial de "escalabilidade" no negócio.

Desde que foi constituída, há oito anos, a Aqua Capital tem se concentrado em empresas familiares ou que ainda estão na primeira geração de sócios. "São empresas ‘redondas, que não precisam ser vendidas, mas que chegam a um momento de reestruturação societária ou de necessidade de um aporte para decolar", observou Popik.

Outra característica é manter os antigos donos trabalhando – modelo que assegura a cultura empresarial que vinha dando certo.

Boa parte do dinheiro deste segundo fundo já vem sendo investido desde o ano passado, conforme as oportunidades de negócios foram aparecendo. "Já utilizamos 40% das captações para a aquisição do controle acionário na Yes, Rural Brasil, Casa da Vaca e Agro 100 ", afirmou o executivo. A intenção da gestora é completar os investimentos nos próximos 18 meses – com mais uma possível aquisição a ser concluída ainda neste ano.

A Yes atua no mercado de aditivos para alimentação animal e a Casa da Vaca tem foco em produtos veterinários e insumos, mas as duas outras aquisições de controle miraram empresas majoritariamente de distribuição de insumos agrícolas. Isso sugere uma convergência para um segmento comumente referido pelo mercado como alvo "bastante interessante" para consolidação, a exemplo do que se já vê na indústria de sementes e defensivos agrícolas.

Altamente pulverizada, a área de distribuição de insumos no Brasil não tem uma grande empresa dominante em nível nacional. Em geral, são grupos fortes regionais e de gestão familiar – e na condição "redonda" e com alto potencial de expansão que a Aqua e outras gestoras de recursos tanto cobiçam.

Popik concorda que o segmento é atraente, mas abre o leque para opções que ele considera igualmente boas, como tecnologias para elevar a produtividade no campo e frutas, relativamente pouco exploradas até agora.

"Ainda tem bastante ganho em vaca, em galinha e em hectares [a serem alcançados]", disse o executivo, que vê com otimismo o momento agrícola do Brasil. Desde que foi criada, em 2009, a Aqua Capital já investiu em nove empresas, entre as quais Feriláqua, Grand Cru, Geneseas e Aquafeed. Juntas, elas geram anualmente em torno de R$ 3,4 bilhões em receitas – e a expectativa é elevar esse montante em torno de 30% neste ano.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor