Após IPO, Camil pretende ampliar portfólio

Ana Paula Paiva/Valor

Acionistas e executivos da Camil na estreia dos papéis da empresa na B3

Depois de captar R$ 370 milhões em uma oferta de ações na B3, a empresa de alimentos Camil pretende expandir seu portfólio de produtos e, para isso, pretende comprar empresas do setor de mercearia seca, tais como farinhas, massas e cafés, tanto no Brasil como em outros países da América do Sul.

Os papéis da companhia estrearam na bolsa de valores ontem com queda de 0,11%, cotados a R$ 8,99. No IPO, que movimentou R$ 1,15 bilhão, as ações foram vendidas a R$ 9.

Ontem, durante evento para o início das negociações das ações da empresa na B3, Luciano Quartiero, presidente da Camil, afirmou que o objetivo da companhia é aproveitar o mesmo caminhão que já transporta arroz, feijão, enlatados e açúcares para levar outros produtos para o varejo.

Criada em 1963, operando com distribuição de arroz e posteriormente de feijão, a Camil deu início à expansão do portfólio de produtos em outubro de 2011, quando adquiriu a fabricante de peixes enlatados Coqueiro. Menos de um ano depois, a empresa comprou a marca de açúcar União.

Atualmente, a Camil tem operações no Brasil, Uruguai, Chile e Peru, mas também tem planos de chegar a outros países. "Queremos ir para Colômbia, por exemplo, e entrar em novas categorias de produto", afirmou Luciano Quartiero.

Segundo o empresário, depois do IPO, a companhia fica com a menor alavancagem dos últimos cinco a oito anos, o que permite pensar numa estratégia de aquisição. "Para ampliar mercados, esta é a melhor opção."

Os recursos captados com a oferta de ações na bolsa serão usados para capital de giro e investimentos, como, por exemplo, na expansão da marca União para outros produtos além do açúcar. Afora os recursos do IPO, Quartiero disse que a empresa pode usar as próprias ações da Camil como moeda para as futuras aquisições.

Depois de encontrar investidores resistentes, a Camil conseguiu concluir sua oferta inicial de ações a R$ 9 por papel, piso da faixa indicativa de preço revisada. Com isso, chegou ontem na bolsa valendo R$ 3,69 bilhões.

Além de novos investimentos, o IPO da Camil tem como objetivo dar saída parcial a alguns de seus acionistas como a gestora de private equity Warburg Pincus e alguns integrantes da família fundadora Quartiero.

Atualmente, a área de processamento de grãos da Camil – basicamente com arroz, feijão e outros pulses – responde por 64% da receita líquida da empresa; o processamento de açúcar, 25%; e o de pescados, 11%.

A capacidade de produção de grãos da empresa é de 1,78 milhão de toneladas anuais; a de açúcar, de 727 mil toneladas, e a de pescados, de 63 mil toneladas.

No exercício fiscal encerrado em fevereiro de 2017, a Camil teve receita líquida de R$ 5,725 bilhões e registrou um lucro líquido de R$ 201,5 milhões.

  • Por Fernanda Pressinott e Carolina Mandl | De São Paulo
  • Fonte : Valor