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Após Ceratti, Hormel avalia outras aquisições no país

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or Cibelle Bouças e Fernanda Pressinott | De São Paulo

A americana Hormel Foods informou ontem que avalia outras oportunidades de aquisições no Brasil. A companhia confirmou a aquisição da brasileira Cidade do Sol, dona da marca de embutidos Ceratti. A notícia foi antecipada pelo Valor no dia 23, quarta-feira. O valor da transação foi de US$ 104 milhões e está sujeito a "ajustes habituais de capital de giro", segundo a companhia.

Durante teleconferência para analistas e investidores, Jim Snee, presidente e diretor executivo da Hormel Foods, disse que pretende tornar a Ceratti uma plataforma para futuras aquisições na América do Sul. "Já estamos olhando outras oportunidades para investir no país. Temos um time grande e competente olhando novos negócios".

A Ceratti é a primeira aquisição da Hormel Foods na América do Sul. "É uma aquisição pequena, mas será uma plataforma para futuras aquisições na região", reforçou o executivo. Snee não deu detalhes sobre o tipo de companhia que avalia adquirir. Questionada após a teleconferência, a Hormel Foods não quis fornecer mais detalhes sobre seu plano.

Snee disse que conversou com os sócios da Ceratti por mais de dois anos e que vê na companhia um bom potencial de crescimento futuro. A Ceratti tem sede em Vinhedo (SP) e não divulga resultados financeiros regularmente. Recentemente, informou que teve receita líquida de R$ 300 milhões em 2016. O carro-chefe da fabricante de embutidos é a mortadela. As vendas são concentradas no Estado de São Paulo, responsável por 70% da sua receita.

Mauro Preti, presidente da Ceratti, disse que a Hormel Foods pretende criar uma holding no Brasil, que controlará a Ceratti. Pelo acordo de venda, Mario Ceratti, diretor estatutário da Ceratti, permanece na empresa para efetivar o processo de transição para os novos acionistas. A companhia não informou qual é esse prazo de transição. A diretoria da empresa também será mantida.

Preti disse que a Ceratti vai manter as parcerias com os atuais fornecedores, incluindo a Alegra Foods – sociedade das cooperativas paranaenses Castrolanda, Capal e Frísia (ex-Batavo). "A Hormel Foods endossou os nossos parceiros. Em princípio não haverá mudanças", afirmou ele.

Preti acrescentou que a Hormel Foods não demonstrou interesse em entrar na área de abate de suínos no Brasil no curto prazo. Nos Estados Unidos, a Hormel abate 13 milhões de cabeças de suínos por ano e é quarta maior do setor, atrás de Smithfield (do grupo chinês WH), JBS e Tyson.

"A Hormel Foods vai buscar primeiro acelerar o ritmo de expansão da Ceratti e, futuramente, trazer para o Brasil algumas de suas marcas", disse Preti. A Hormel Foods é dona de marcas como Pepperoni Hormel, carnes in natura e orgânicas Applegate, peru Jennie-O, bacon Black Label, entre outros produtos. Por enquanto, segundo Preti, a Ceratti mantém o plano de expansão nacional de vendas, com meta de dobrar a receita até 2020.

Listada na bolsa de Nova York, a Hormel Foods fechou o primeiro semestre fiscal com receita líquida de US$ 4,47 bilhões, em queda de 2,7%, e lucro líquido de US$ 446,1 milhões, com recuo de 3,1%.

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  • Fontes : Valor