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Após Belagrícola, Pengxin avalia novos negócios

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Leonardo Rodrigues / Valor

Flavio Andreo, presidente da Belagrícola, diz que plano é dobrar o faturamento da empresa em cinco anos ou menos

O grupo chinês Pengxin acaba de concluir sua segunda aquisição no país – a compra do controle da paranaense Belagrícola – e já sinaliza que tem planos ambiciosos para o Brasil. No começo de abril, o Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição, pelo conglomerado chinês, de 53,99% de participação na Belagrícola, que atua na comercialização de grãos e insumos no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e faturou R$ 2,8 bilhões no último ano.

Em entrevista ao Valor, o presidente da Belagrícola, Flavio Andreo, disse que o plano é dobrar o faturamento em cinco anos, "talvez em até menos, dependendo das circunstâncias". Andreo, que assumiu a presidência em janeiro, após a aquisição pelos chineses, disse que o planejamento dos novos controladores prevê elevar de 10% para entre 25% e 30% a participação da Belagrícola nas regiões em que a empresa está presente há menos de três anos, como Itapeva (SP) e áreas na região sul do Paraná e Santa Catarina.

Criada em 1985 por João Andreo Colofatti como uma pequena revenda de insumos de Londrina, a Belagrícola tornou-se uma das cerealistas mais cobiçadas do Paraná num momento de consolidação do setor e apetite externo por ativos brasileiros. Além de insumos, tornou-se uma comercializadora regional de grãos relevante, ampliando sua atuação inicial do norte do Paraná para São Paulo e, mais recentemente, para Santa Catarina. No ano passado, a empresa movimentou 2,3 milhões de toneladas de grãos.

Segundo Andreo, a previsão é que a empresa, agora mais capitalizada, alcance uma receita de R$ 3,2 bilhões este ano e movimente 2,8 milhões de toneladas de grãos.

Antes da aquisição do controle da Belagrícola, o Pengxin – um conglomerado que atua globalmente em setores como mineração, imobiliário e agricultura – já tinha comprado 57% da Fiagril, de Mato Grosso. Em ambos os casos, as transações foram feitas pelo braço agropecuário do grupo, o Dakang Pasture Farm.

As duas aquisições têm características semelhantes e dão sinais sobre a estratégia do grupo chinês no Brasil. Tanto a Fiagril quanto a Belagrícola são empresas com origens em negócios familiares, atuam em toda a cadeia de produção do grão – desde assistência técnica, venda de sementes e fertilizantes até o recebimento do grão – e têm sedes nos dois principais Estados produtores de soja e milho: Paraná e Mato Grosso.

A estratégia de comprar empresas que atuam em toda a cadeia de produção não é nova para o grupo. Na Nova Zelândia, o Pengxin trabalha desde o fornecimento de insumos para a produção de leite até a linha final de exportação para a China.

"É o jeito mais fácil de estar próximo de todos os lados da produção sem, propriamente, deter todos os ativos", disse Andreo, no escritório recém-inaugurado da empresa DKBA, braço brasileiro do Pengxin, em São Paulo. "Esse escritório vai ser compartilhado pela Fiagril e pela Belagrícola e também representa os interesses do grupo". Entre os interesses está ampliar os negócios no Brasil. De acordo com o presidente da Belagrícola, a partir de agora, ele e Carlos Kempff, que preside a Fiagril, irão prospectar empresas com potencial para ser parte do grupo chinês no Brasil.

A ambição do grupo de crescer no país se explica. Uma das certezas do Pengxin, segundo Andreo, é de que caberá ao Brasil suprir a demanda crescente por soja da China. "Eles acreditam que estão sendo pioneiros no estreitamento de laços agrícolas entre China e Brasil". Em 2016, a China comprou 38,6 milhões de toneladas de soja brasileira, cerca de 40% da produção da safra 2015/16.

Afora aquisições nas áreas de grãos e insumos, o grupo chinês estuda ainda, conforme o presidente da Belagrícola, negócios em portos, parceria em ferrovias, e transbordo no país. "Basicamente, qualquer infraestrutura ligada ao agronegócio", acrescentou.

A venda do controle da Belagrícola para os chineses não gerou grandes mudanças estruturais na companhia. Os acionistas fundadores seguem no comando da empresa e há três representantes do grupo chinês no conselho de administração.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor