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Após baque, consumo de frango no país ensaia retomada

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Depois de atingir o menor patamar da década no ano passado, o consumo de carne de frango no Brasil começou a se recuperar. Estimulados pelos preços estáveis da proteína ao longo de 2017, os brasileiros consumiram, em média, 42 quilos de carne de frango, 1,8% acima dos 41,1 quilos per capita do ano passado, conforme as estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Na indústria, a avaliação é que a reação está só no início. Diante da melhora da economia, a demanda dos brasileiros deve crescer novamente em 2018, disse ontem o vice-presidente de mercados da ABPA, Ricardo Santin, durante encontro de fim de ano com jornalistas em São Paulo.

"A retomada já acontece no consumo de aves natalinas e deve seguir [em 2018]. Não chegamos ao topo do consumo per capita. Há espaço para crescer", disse Santin. De fato, os brasileiros já consumiram bem mais frango do que atualmente. Em 2011, quando as condições da economia eram bem mais favoráveis, o consumo per capita chegou a ultrapassar os 47 quilos – um recorde em âmbito mundial.

Para 2018, a ABPA também está otimista com o mercado externo. A projeção da entidade é que as exportações brasileiras aumentem de 1% a 3%, o que deve representar uma virada de página após a Operação Carne Fraca, que provocou diversos embargos a carnes brasileiras e impediu que as exportações crescessem este ano.

Em 2017, as exportações de carne de frango caíram 1,5%, somando 4,319 milhões de toneladas. A receita com as vendas, porém, cresceu 6%, superando US$ 6,6 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela ABPA. Não fosse a Carne Fraca, o setor poderia ter exportado mais 150 mil toneladas, estimou Santin. Esse volume adicional garantiria uma alta de quase 2% nas vendas externas do produto.

No próximo ano, o crescimento das exportações deve ser puxado pela China, que é o terceiro maior comprador do produto brasileiro e deve autorizar mais frigoríficos do Brasil a venderem.

Maior importador do frango do Brasil, a Arábia Saudita também deve aumentar as compras. Na avaliação do vice-presidente da ABPA, o Brasil pode recuperar de 50% a 60% do espaço que perdeu na Arábia Saudita este ano, quando as vendas caíram 20%. Segundo ele, essa queda foi um reflexo do processo de adaptação dos exportadores à nova tarifa de importação, cuja alíquota quadruplicou, de 5% para 20%.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte: Valor