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Aprovado o aumento de capital da Vanguarda

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Em assembleia realizada na sexta-feira, os acionistas da Vanguarda Agro aprovaram o aumento de capital de R$ 150 milhões que havia recebido o aval do conselho de administração e aplainaram o terreno para que a companhia consiga equacionar o alongamento do perfil de seu endividamento, que é considerado elevado e tem exercido pressão baixista sobre o valor de suas ações na BM&FBovespa.

Em 30 de setembro, último dia do terceiro trimestre do atual exercício, a dívida bruta da Vanguarda Agro era de R$ 775,1 milhões. Como exposto em reunião com analistas na manhã de sexta-feira, o plano é alongar US$ 180 milhões desse total em cinco anos. Para isso, a empresa também está em fase final de negociação com um grupo de bancos que inclui Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, entre outros. A ideia da Vanguarda é pagar 10% da dívida em dezembro de 2015 e o restante em parcelas semestrais equivalente a 11% do valor total.

A companhia encerrou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de 53,9 milhões, 19% menor que em igual intervalo de 2013, e receita líquida de R$ 60,4 milhões, queda de 20,4% na mesma comparação. O Ebitda foi negativo em R$ 29 milhões, ante R$ 45,6 milhões também negativos registrados de julho a setembro do ano passado.

"O terceiro trimestre é o pior para a companhia, já que é quando se concentram nossas compras de insumos para o plantio", afirmou Cristiano Soares Rodrigues, principal executivo da área financeira (CFO) e de relações com os investidores da Vanguarda, durante o encontro com analistas.

Nos nove primeiros meses do atual exercício, a Vanguarda Agro registrou prejuízo acumulado de R$ 50,6 milhões, quase 72% inferior ao observado de janeiro a setembro de 2014 (R$ 179,1 milhões). A receita líquida aumentou 15,1% na comparação, para R$ 655,9 milhões, e o Ebitda foi positivo em R$ 6 milhões – em igual intervalo de 2013, havia sido negativo em R$ 114,3 milhões.

Como já informou o Valor, nesta safra 2014/15, a Vanguarda pretende semear, no total, 254,2 mil hectares. O grande destaque continua a ser a soja, que deverá ocupar 151,4 mil), mas milho e algodão continuam a ser importantes no negócio da empresa. A área total é 9,7% menor que a semeada na safra passada (2013/14), por conta da estratégia de desocupação de áreas de baixa produtividade.

De acordo com o CEO Arlindo Moura, áreas de baixa produtividade que não são arrendadas – e, portanto, não podem ser simplesmente devolvidas ao término de um contrato – poderão servir para engorda de gado.

O executivo pontuou que não há nada de concreto nesse sentido, mas disse que uma opção é arrendar algumas dessas áreas a terceiros. Investir em um confinamento, provavelmente em parceria, também não está descartado. De qualquer maneira, Moura reforçou que a engorda de gado não será uma atividade de grande expressão para a Vanguarda Agro.

Para 2015, a companhia programou investimentos (Capex) que alcançarão, no máximo, R$ 25 milhões. Desse total, R$ 16 milhões serão aplicados em trabalhos de correção de solo, mesmo valor gasto com essa finalidade neste ano – quando o valor total dos aporte deverá chegar a R$ 20 milhões.

Segundo Moura, os trabalhos de correção de solo da Vanguarda – vitais para a elevação da produtividade – cobriram 40% do total previsto e o restante deverá ser concluído em mais dois anos.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo