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Aprosoja recomenda a agricultores a não plantar nova soja transgênica

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Variedade, segundo entidade, não foi aprovada ainda pela China; Monsanto afirma que plantio é experimental

por Globo Rural On-line

 Shutterstock

Em 2011, a China importou 22,7 milhões de toneladas do produto do Brasil

A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) está recomendando aos produtores associados que não plantem variedades da nova soja Intacta RR2 Pro, da Monsanto, enquanto esta não for aprovada para importação na China. A recomendação é decorrente da preocupação da entidade com as consequências de uma possível contaminação de soja Intacta RR2 Pro em carregamentos de soja com destino a principal mercado importador, a China. “Todos os produtores brasileiros ainda têm amargas lembranças da enorme crise de preços causada pela recusa de várias cargas de soja brasileira pelos chineses em 2004”, diz a nota emitida pela Aprosoja.

A Monsanto já anunciou que deve se pronunciar sobre o assunto ainda nesta segunda-feira (3/9), por meio de comunicado à imprensa. Geraldo Magella, diretor de Comunicação da Monsanto, lembrou à Globo Rural que a soja Intacta RR2 Pro ainda não foi lançada comercialmente no Brasil. Na temporada 2011/2012, cerca de 500 produtores brasileiros receberam sementes para plantar a novavariedade transgênica experimentalmente. Para este ano, a intenção da companhia é aumentar o número de agricultores que receberá as sementes, mas a Monsanto só pretende lançar a nova soja quando contar com a aprovação da China.

Segundo a Aprosoja, apesar de as autoridades da União Europeia já terem aprovado a tecnologia Intacta RR2 Pro para a soja, resta ainda a pendência com relação ao importante mercado chinês, hoje o maior comprador de soja do Brasil. Somente no ano passado, o país asiático importou do nosso país 22,7 milhões de toneladas do produto respondendo por US$ 11,2 bilhões em receitas.

Segundo a Aprosoja, apesar de as autoridades da União Europeia já terem aprovado a tecnologia Intacta RR2 Pro para a soja, resta ainda a pendência com relação ao importante mercado chinês, hoje o maior comprador de soja do Brasil. Somente no ano passado, o país asiático importou do nosso país 22,7 milhões de toneladas do produto respondendo por US$ 11,2 bilhões em receitas.
“A Monsanto se comprometeu, em 2011, a não comercializar qualquer evento de soja cuja aprovação não estivesse concluída nos principais destinos de exportação da oleaginosa brasileira. Mesmo com todos os mecanismos de controle e monitoramento propostos pela empresa, verifica-se um enorme risco neste prematuro lançamento no mercado brasileiro de semente de soja da variedade Intacta RR2 Pro”, continua a nota.

A preocupação é compartilhada pelas empresas compradoras e tradings de soja, representadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove). “Esta preocupação é agravada com a previsão de safra recorde e de logística cada vez mais precária e ineficiente no nosso País. O produtor e as empresas comercializadoras de soja poderão ser os grandes perdedores neste processo”, alerta.

“Reconhecemos que a assincronia de aprovações entre o Brasil e países importadores representa um sério problema à nossa agricultura. Somente de soja, existem eventos aprovados no Brasil da Basf/Embrapa e Bayer, que não serão lançados enquanto as empresas não obtiverem as devidas aprovações nos principais importadores. Esta é a postura que consideramos correta e responsável. A Aprosoja considera esta ação da Monsanto um flagrante desrespeito ao compromisso assumido pela empresa com o setor em 2011 e principalmente um desrespeito para com o produtor de soja do Brasil, já tendo comunicado formalmente esta preocupação à diretoria da Monsanto”, termina o texto.

Fonte: Globo Rural