Anglo American ajusta avanço em fertilizantes

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Fernandes: "Não vamos vender [o negócio de adubos]. Fosfato e nióbio estão bem posicionados na nova visão da Anglo"

A unidade de fosfatos da Anglo American no Brasil, único braço de fertilizantes da mineradora de origem sul-africana com sede em Londres, ajustou novamente sua estratégia de crescimento e fortaleceu os planos de duplicar a capacidade de produção de concentrado de fosfato a partir de 2017. Animada com resultados obtidos no segmento em 2012, a empresa garante que não estuda mais vender a divisão, como chegou a anunciar há alguns anos.

Em 2012, o grupo havia decidido promover sua expansão em duas etapas, a segunda claramente dependente do sucesso da primeira. Inicialmente, haveria um incremento da capacidade estimado em 20% a 30%, para depois a efetiva duplicação ser alcançada. Mas, diante de um crescimento de 15% da produtividade obtido a partir de aportes na melhoria de processos produtivos, a subsidiária brasileira decidiu partir de uma vez para o aumento de 100%. A atual capacidade é da ordem de 1,4 milhão de toneladas de concentrado de fosfato por ano, e em 2012 a produção efetiva somou 1,1 milhão.

Ruben Fernandes, presidente da Unidade de Negócio Nióbio e Fosfatos da companhia desde agosto, explica que já foi realizado um estudo "conceitual" para o desenvolvimento do plano de expansão, para o qual estão sendo concluídos, neste momento, os estudos de pré-viabilidade. Os investimentos necessários ainda não foram definidos.

Em 2008, quando pela primeira vez esse renovado projeto de duplicação da capacidade de produção da empresa na área de fertilizantes no Brasil foi anunciado, os aportes previstos somavam US$ 1 bilhão. Na época, os negócios da multinacional no segmento eram concentrados da Copebrás, que pouco tempo depois foi colocada à venda como parte de uma estratégia que, conforme a Anglo American, visava manter o grupo concentrado em um "core business" que excluía os adubos.

Em 2011, após muitas especulações frustradas de que a Vale ou uma empresa estrangeira poderia adquirir a Copebrás – a mineradora brasileira comprou o controle da Fosfertil, que deu origem à Vale Fertilizantes, no início de 2010 -, a Anglo American tirou a controlada da vitrine e investiu em seus processos produtivos. "Não vamos vender. Fosfato e nióbio estão bem posicionados na nova visão da Anglo. A empresa tem por objetivo crescer no Brasil e reforçar sua imagem também em fosfatos", afirma Fernandes.

A expectativa é que até o fim do ano os estudos de pré-viabilidade sejam de fato concluídos e que seus resultados sejam apresentados à matriz, em Londres. Se tudo der certo, o estudo de viabilidade deverá ser realizado ao longo de 2014, com a definição dos investimentos prevista para o início de 2015. "A empresa repensou a expansão de outra forma, mas o plano estratégico para 2013-2018 continua o mesmo".

Para que a capacidade de produção seja realizada, será preciso construir mais uma usina de beneficiamento, que será em Goiás. No Estado, a companhia mantém uma unidade de processamento, em Catalão, e uma mina e com uma unidade de beneficiamento, em Ouvidor. A companhia também conta com uma unidade de processamento em Cubatão (SP).

A empresa produz ácidos sulfúrico e fosfórico que depois são transformados em adubos como o superfosfato simples, superfosfato triplo (TSP) e o fosfato monoamônico (MAP). Ainda não foi definido qual dos adubos será produzido em maior quantidade. "Ainda vamos definir o mix dos produtos", diz Fernandes.

A expectativa da segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do país, depois da Vale, é que a duplicação da produção ocorra efetivamente no fim de 2017, considerando que ela obtenha todas as aprovações necessárias no prazo desejado. "Estamos indo bem. Acho que é um bom projeto e a expectativa é que o cronograma avance", afirma o executivo.

Além do projeto de duplicação da produção, a Anglo Americana pretende investir em novas melhorias na unidade de Cubatão, que passará a contar com cogeração de energia elétrica a partir do vapor produzido na fábrica de ácidos do complexo. Em Catalão, onde já há cogeração, o processo gera cerca de 70% da energia consumida na unidade de processamento.

No ano passado, a unidade de fosfatos da multinacional teve uma receita de US$ 597 milhões ante US$ 571 milhões em 2011 – um crescimento de 4,5%, mas para um valor que representou apenas 1,8% do faturamento global total do grupo, de US$ 32,785 bilhões. O lucro operacional (excluindo itens excepcionais e variações cambiais) da unidade brasileira foi de US$ 91 milhões em 2012, ante US$ 134 milhões em 2011, recuo de 32%.

Além dos negócios reunidos na Unidade de Negócio Nióbio e Fosfatos, a Anglo American atua, no Brasil, nos mercados de minério de ferro e níquel.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo