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CAMPO ABERTO – CONTRA OS CORTES

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O governo federal precisará de muita habilidade para reorganizar o orçamento de 2018 após o aumento da meta de déficit fiscal.

Programas importantes do setor primário tiveram tesourada significativa na primeira versão (caso do Programa de Aquisição de Alimentos, como mostrou ontem a coluna). E foi para pressionar o Planalto que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou, ontem, a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre. A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Segundo o movimento, o corte no valor destinado à aquisição de terras chega a 86,7%, caindo de R$ 257,02 milhões para R$ 34,29 milhões no próximo ano. Recursos destinados à assistência técnica dos assentados também foram reduzidos 85,2%. Esse encolhimento, na prática, significa inviabilizar a manutenção das ações sociais, na avaliação do movimento.

– Temos mais de 2 mil famílias acampadas no Estado. Esse valor destinado para a compra em 2018 dá para adquirir uma área em todo o país, onde temos mais de 90 mil famílias acampadas. Dinheiro existe, é preciso saber onde colocá-lo – diz Silvia Reis Marques, dirigente do MST no RS.

O MST garante que as ocupações devem continuar até a pauta ser atendida. Os cerca de 1,5 mil integrantes que estão no Incra em Porto Alegre vieram preparados para ficar o tempo que for necessário.

Os cortes para programas que atendem a agricultura familiar também motivaram a ida do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva. A ideia é tentar sensibilizar a bancada gaúcha:

– Mas se a coisa não andar, vamos partir para as mobilizações.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora