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Ampliar fontes de renda é solução para a fumicultura, afirmam lideranças do setor

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Apelos por união e diversificação nas lavouras deram o tom da abertura oficial da Expoagro Afubra, no Rio Grande do Sul

 Mary Silva

Foto: Mary Silva

Tarso defendeu que seja ampliado o prazo para adequação às resoluções publicadas pela Anvisa

Com discursos sincronizados em defesa da união do setor produtivo e diversificação das lavouras de tabaco, representantes dos governos federal e do Rio Grande do Sul abriram oficialmente a Expoagro Afubra 2012, ao lado de lideranças do segmento, nesta quarta, dia 21.
O evento, que segue até esta sexta, dia 23, em Rio Pardo (RS), teve início na mesma data em que a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), coordenadora da feira, completa 57 anos de atividades. Para o presidente da entidade, Benício Albano Werner, a criação de dispositivos para viabilizar a diversidade na agricultura familiar é o primeiro passo para amenizar as dificuldades enfrentadas pelo setor no Sul do país.
– O nosso objetivo é oferecer ao fumicultor a oportunidade de cultivar produtos de qualidade, para subsistência e que também sirvam como segunda atividade econômica. E a Expoagro é uma enciclopédia a céu aberto. Temos entidades, como a Emater e a Gadolando, além de fabricantes de máquinas e equipamentos expondo inovações e alternativas que podem ser adotadas imediatamente. É possível obter informações sobre pecuária de leite, cultivo de milho, feijão e várias outras atividades, receber orientação e até mesmo negociar compra de animais na feira. Não temos como diminuir os danos provocados pelo clima e medidas restritivas à cadeia produtiva. Por isso, ficar dependente de uma cultura só não é viável – aponta.
A proposta de Werner é ampliar o espaço destinado aos pequenos produtores na exposição. Durante seu discurso, solicitou ao ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, presente à solenidade, a construção de um pavilhão para as agroindústrias no Parque de Exposições. Mendes, por sua vez, realizou um discurso rápido, salientando a necessidade de o governo trabalhar em defesa do homem do campo.
– Temos que unir esforços para buscar uma solução para os problemas do agricultor. O produtor do Rio Grande do Sul tem capacidade de diversificar e precisamos juntar nossas forças para isso. Vocês me pedem ajuda para construir um pavilhão e eu prometo me esforçar para conseguir isso e mais – afirma.
O novo Código Florestal e a recente proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aos aditivos de sabor nos derivados do tabaco também fizeram parte das explanações na abertura da Expoagro.
– Eu adianto que vou votar contra o que está sendo proposto nesse texto do Código Florestal. Porque só quem paga a conta das mudanças é o pequeno produtor. Se consolida apenas as grandes propriedades. Vou votar a favor dos pequenos – ressalta o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS).
O representante da Câmara também critica as restrições aos ingredientes utilizados na fabricação de cigarros.
– Todos os dados que apresentamos sobre o setor produtivo e as 223 mil famílias de produtores de tabaco que trabalham no país foram ignorados pela Anvisa. Não deram valor algum. A Anvisa patrolou nossos produtores e está abrindo as portas para o contrabando. Por culpa do governo, vai aumentar ainda mais o número de cigarros ilegais no Brasil, que já passa de 35% do total comercializado – diz.
Governador do RS quer estender prazo para adequação

Logo após a solenidade, o governador do Estado, Tarso Genro, defendeu que seja ampliado o prazo para adequação às resoluções publicadas pela Anvisa.
– [O tempo é necessário] para que se respeite as especificidades da base produtiva da região e para que haja tempo no processo de adaptação a outras culturas – pontuou.
Ele disse ainda que o Brasil não está em condições de extinguir uma cultura e subsidiar esta renda perdida.
– Tem que haver uma substituição de geração de renda na região de modo que, à medida que for reduzindo a plantação de fumo, outros cultivos e outras atividades vão surgindo. Então, tem que ser uma coisa de longo prazo, não de curto prazo, pois é uma violência contra a região e suas características – salientou.

Fonte: Ruralbr | Mary Silva | Rio Pardo (RS)