Ampliada a suspensão às vendas de pescado à UE

Depois de suspender as vendas de seis unidades de pescado habilitadas a exportar à União Europeia, o Ministério da Agricultura acatou na quarta-feira a recomendação da UE e ampliou a suspensão para as 46 plantas do país habilitadas a vender ao bloco.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, um grupo de trabalho com outras associações do setor está sendo criado e uma reunião já está marcada para 8 de janeiro em Brasília, juntamente com o Ministério da Agricultura, para discutir a questão. "Precisamos de uma ação igual à reação à Carne Fraca", disse. Segundo o executivo, a reação da UE foi "descabida e exagerada".

A UE alega "graves falhas" e "deficiências" no sistema de controle do setor pesqueiro no Brasil.

Conforme memorando do ministério, a partir do dia 3 de janeiro haverá a suspensão da emissão e da certificação sanitária internacional para pescado e produtos da pesca destinados à UE de todos os estabelecimentos nacionais atualmente habilitados a exportar àquele mercado. Apenas poderão ser emitidos pelos Serviço de Inspeção Federal ou pelo Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional, os certificados sanitários internacionais emitidos e assinados até o dia 2 de janeiro de 2018.

A suspensão vai vigorar até que os fornecedores e o Serviço Veterinário Oficial façam os ajustes exigidos pelos europeus. Segundo o Ministério da Agricultura, o prazo de 15 dias até o dia 1º de janeiro para a emissão dos últimos certificados sanitários internacionais foi dado pela UE para garantir que os embarques que estiverem no mar poderão chegar ao destino.

Em nota, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) afirmou que a suspensão dos pescados brasileiros pela UE é consequência da falta de atenção de órgãos competentes à aquicultura nacional.

Para a associação, a extinção do Ministério da Pesca é um dos exemplos da desatenção do governo ao setor. "Nesse jogo de forças políticas, esqueceram do básico: cuidar das necessidades elementares da piscicultura brasileira", ressaltou a associação.

Por Kauanna Navarro, Fernanda Pressinott e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília

Fonte : Valor