Alta nos custos de produção dificulta manejo de praga no Estado do Paraná

 

Apesar de altamente recomendado, plantio de áreas de refúgio não é totalmente aplicado por produtores; Monsanto aposta em semente específica para locais que não usam a tecnologia Bt

Com aumento dos custos de produção, produtores buscam saídas para reduzir gastos com insumos

Com aumento dos custos de produção, produtores buscam saídas para reduzir gastos com insumos
Foto: Dreamstime

Cascavel (PR) – No Paraná, segundo maior produtor de milho do País, cooperativas da região estimam que a comercialização de sementes com a tecnologia Bt (mais resistente às principais espécies de lagarta) nesta safra registrou uma média entre 60% e 70%. Em outras regiões, este percentual é maior e pode chegar a 85%.

Especialistas do setor acreditam que o aumento nos custos de produção tenha impactado a adesão destas técnicas, o que afeta o chamado Manejo Integrado de Pragas (Mip).

"Ouvimos muito isso dos produtores. Os que ainda não entraram no Bt, em geral, sentiram o peso das despesas deste ano", disse ao DCI o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja, Osmar Conte.

Nas lavouras de grãos Bt, recomenda-se que pelo menos 10% seja plantado com a mesma cultura "não-Bt", a uma distância superior a 800 metros, para que os insetos presentes não criem resistência à tecnologia e para que os níveis de produtividade sejam mantidos. Esta prática é conhecida como ‘refúgio’. "Quando o produtor planta uma área menor com o Bt, por problemas como a falta de recursos para comprar uma boa quantidade da semente modificada, ele acaba fazendo um ‘falso refúgio’. Não é isso que nós indicamos. O refúgio tem um manejo todo estruturado e que muitos produtores ainda não seguem", acrescenta o especialista.

O pesquisador Samuel Roggia, também da Embrapa Soja, explica que não é considerado refúgio quando o produtor semeia, por exemplo, 500 hectares de soja Bt ao lado de outros 500 hectares de soja não-Bt – no caso da oleaginosa, recomenda-se que 20% das áreas sejam cultivadas sem esta biotecnologia. A distância de 800 metros entre as diferentes plantas deve ser observada para favorecer o acasalamento entre insetos suscetíveis à toxina Bt e os indivíduos potencialmente resistentes, provenientes das áreas com plantas Bt. "Essa medida pode retardar a seleção de insetos resistentes à tecnologia", explica.

Independente da tecnologia embarcada, os especialistas alertam que é preciso fazer o monitoramento de pragas e utilizar as práticas do manejo integrado, ou seja, a aplicação de inseticidas apenas quando o nível de controle for atingido.

Aposta no refúgio

Parte dos agricultores preferia não abrir mão de uma área para refúgio por receio de queda na produtividade. De olho nesta demanda, a Monsanto – que está entre as líderes globais no fornecimento de insumos – lançou ontem (3) o RefúgioMAX, uma semente não-Bt especificamente para as áreas de refúgio, porém, com os mesmos índices de produtividade. A companhia participou do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), primeira feira agrícola do ano.

Para o gerente de biotecnologia de milho da Monsanto, Guilherme Lobato, mesmo com o cenário de aumento de custos de produção, trata-se da primeira marca de semente da cultura para refúgio no Brasil e, por isso, não é esperado problema com a adesão. "Lançar uma marca de refúgio liga a necessidade do agricultor de se proteger com melhorar em produtividade. É uma demanda antiga do setor", enfatiza o executivo. "Dados do mercado apontam para uma baixa adoção dos produtores quanto ao refúgio, por isso ainda trabalharemos em uma política comercial adequada, tanto de preços como na estratégia de vendas", completa.

Sem revelar os investimentos, Lobato destaca que foram despendidos quase oito anos para o desenvolvimento do produto, que estará disponível para venda a partir da safra de verão 2016/ 2017. Na primeira temporada serão disponibilizados cinco híbridos da marca para diferentes regiões brasileiras, no intuito de ampliar as características de sanidade da planta e qualidade dos grãos. "Este portfólio foi construído seguindo os critérios de avanço e melhoramento da rede de ensaios da Monsanto", diz a empresa. Durante o desenvolvimento, o produto foi testado em 150 locais distintos. A aquisição poderá ser feita por meio dos parceiros comerciais das marcas de sementes de milho da Monsanto: Dekalb, Sementes Agroceres e Agroeste.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI