Alta do dólar ajuda a ampliar receita dos negócios dos produtores de frango

Com expectativa de maior lucratividade, criadores já estão alojando mais

Alta do dólar ajuda a ampliar receita dos negócios dos produtores de frango Lidiane Mallmann/Especial

Arrancada do mercado produz efeitos tanto para o produtor quanto para o consumidor Foto: Lidiane Mallmann / Especial

Vanessa Kannenberg

vanessa.kannenberg@zerohora.com.br

Um ano depois de verem seus aviários esvaziados e de escassear o dinheiro por conta da alta na ração, criadores de frango do Rio Grande do Sul retomam alojamentos, investem na produção e veem as exportações crescerem. Essa arrancada do mercado produz efeitos tanto para o produtor quanto para o consumidor.
É no supermercado que se registrou a maior alta: no comparativo com junho de 2012, o preço médio do quilo do frango passou de R$ 4,68 para R$ 5,92. O aumento, nesse período, é de 26,5% – o maior percentual para o produto registrado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe/UFRGS) nos últimos quatro anos. O valor ainda tende a subir e não chegou totalmente ao produtor – o reajuste nos valores recebidos no período é inferior a 8%.
Para o avicultor, a expectativa de ter melhores preços está nas exportações, o que já elevou o número de alojamentos em 11% até abril em relação ao mesmo mês do ano passado. A alta do dólar ajuda a engordar a receita dos negócios na conversão para reais. Além dos valores em dólar estarem elevados, na conversão para real chegam a recordes históricos. Segundo Camila Ortelan, analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em junho o preço médio nacional da carne in natura ficou em US$ 2,04 por quilo (o equivalente a R$ 4,43).
– O faturamento das agroindústrias e das cooperativas exportadoras tem sido elevado e esse ganho tende a se refletir no campo – destaca a analista.
Atenções estão voltadas aos mercados de milho e de soja
A última parte do ano costuma ser melhor para consumo, segundo Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultores (Ubabef), devido ao 13º salário e à tendência de redução do endividamento.
Para Nestor Freiberger, presidente da Associação Gaúcha de Avicultores (Asgav), a larga escala de produção permite que o setor mantenha preços em patamares acessíveis. A projeção para o segundo semestre varia de empresa para empresa, já que o custo de produção, tanto para indústria quanto para o produtor, está atrelado à cotação dos grãos – 50% da ração é milho e 20%, farelo de soja.
Apesar da supersafra, o ritmo acelerado das vendas ao Exterior faz surgir outro problema. Os estoques de grãos devem baixar – pelo menos até setembro, quando começa a entrar a produção dos Estados Unidos.
Para reduzir custos e enfrentar melhor o frio
Embora o criador Márcio Feldmann, 35 anos, não tenha sentido fortemente os efeitos da crise do setor no passado, ele precisa driblar, como todo avicultor gaúcho, as
baixas temperaturas nesta época do ano. Para evitar perda de rendimento, em Westfália, no Vale do Taquari, onde abriga entre 37 mil e 47 mil frangos, Feldmann instalou dois fornos automatizados, com controles de temperatura e abastecidos com lenha, um em cada aviário. Estimado em R$ 28 mil, o investimento feito há cinco anos já foi recuperado, segundo o produtor.
– Podemos direcionar o calor e garantir a uniformidade da temperatura. Depois disso, reduzimos bastante as perdas – esclarece Feldmann.
Com plantação própria de eucalipto, o avicultor reduz ainda mais os custos com o aquecimento dos aviários. No inverno, os produtores gaúchos consomem, em média, três vezes mais madeira do que no resto do ano.

Fonte: Zero Hora