Algar Agro quer expandir operação de grãos no país

Sant’Anna, novo CEO da Algar Agro, diz que empresa deve investir R$ 100 milhões em 2015, principalmente para adequação das estruturas de armazenagem
Com negócios muito concentrados no Norte e Nordeste do Brasil, a Algar Agro, divisão de agronegócios do grupo mineiro Algar, planeja ampliar substancialmente sua área de atuação, com expansão para as mais tradicionais regiões produtoras de grãos do país. A meta é turbinar a originação (compra) nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em um movimento que, nas contas da companhia, ajudará a elevar em três vezes o volume adquirido atualmente, para cerca de 5 milhões de toneladas de soja e milho até 2020.

"A Algar Agro não participa de 70 milhões, das cerca de 95 milhões de toneladas que o Brasil deve colher de soja este ano. Por isso, avançar para o Centro-Oeste e Sul do Brasil [e acessar essa maior parte da oleaginosa produzida no país] é uma consequência natural", disse ao Valor Murilo Braz Sant’Anna, CEO da Algar Agro. O executivo chegou há pouco mais de um mês à companhia, egresso da Bunge e trazendo na bagagem 35 anos de experiência na cadeia da soja.

Hoje, a Algar Agro origina entre 1,6 milhão e 1,7 milhão de toneladas de soja por ano, a partir de Goiás, Minas Gerais e da região do Mapitoba (confluência entre os Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia). Desse volume, cerca de 700 mil toneladas são exportadas e o restante é processado no mercado doméstico. A empresa tem duas esmagadoras, uma em sua cidade-sede, Uberlândia (MG), e outra em Porto Franco (MA), que juntas têm capacidade para 1 milhão de toneladas por dia.

A Algar Agro faturou R$ 1,8 bilhão em 2013, o equivalente a 45% da receita total do grupo Algar, que atua também em setores como telecomunicações, serviços e turismo. No complexo soja, a companhia detém participação de mercado acima de 20% no país, nas contas de Sant’Anna. "No Sudeste, somos o terceiro player, depois de Cargill e ADM. Nas novas fronteiras agrícolas, o segundo, atrás da Bunge", afirmou.

Por ora, a empresa se concentra na formação da equipe que irá operacionalizar a negociação de grãos no Centro-Oeste e Sul do país. A princípio, não está prevista a construção de fábricas ou armazéns nessas regiões, uma vez que essas áreas já são "muito consolidadas". "Há hoje prestadores de serviço que podem atender a nossa demanda, não vamos ser mais um", observou Sant’Anna.

Mas onde já fincou raízes, a companhia segue firme em um plano de investimentos que prevê aportes de R$ 100 milhões em 2015, com medidas de caráter mais "estruturante que expansionista". O objetivo é adequar o parque de estocagem da Algar Agro. "Quando montamos nossa rede de armazenagem, entre 2005 e 2007, a produtividade do agricultor que atendíamos era 30% do que é hoje. Então, temos que nos adequar a esse novo momento tecnológico", justificou.

O investimento previsto para este ano tem a mesma envergadura que o de 2014, quando a companhia priorizou a verticalização da produção de embalagens PET, a estrutura para o uso de biomassa nas caldeiras de suas plantas industriais, além da construção e modernização de armazéns. A Algar Agro chegou a ter mais de 30 unidades de estocagem, entre próprias e arrendadas, mas enxugou seu portfólio em busca de mais eficiência, reduzindo esse número para 17, segundo Sant’Anna.

A expectativa da empresa é que 80% do novo volume originado no Centro-Oeste e Sul do país seja exportado, enquanto o restante fique no país para processamento. Essa oferta de soja adicional deve ser absorvida por Porto Franco, que tem capacidade para esmagar 1,5 mil toneladas por dia, mas opera com 1,2 mil. "No momento em que uma nova estrutura logística se viabilize no Norte-Nordeste, com a entrada de novos terminais, podemos aumentar a produção nessa planta para 2 mil toneladas", afirmou.

Atualmente, todo o óleo de soja produzido pela Algar Agro (sob a marca ABC) é direcionado ao mercado doméstico. No varejo do Norte-Nordeste, as vendas do produto totalizaram 4 milhões de caixas no ano passado e a expectativa é chegar a 6 milhões em 2016. Já o farelo faz suas primeiras incursões em exportação, em uma estratégia para dar vazão à capacidade de produção desse derivado da soja, que resulta de 78% a 80% do esmagamento do grão. "Se conseguirmos equacionar a saída do farelo, estou motivado a levar uma proposta de expansão para a unidade de Porto Franco ou de manter nosso ritmo de construção de armazéns".

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo