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‘Ainda não podemos falar em otimismo’, diz Sperotto

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Presidente da Farsul cita preço baixo na venda da safra e alta nos custos

Presidente da Farsul cita preço baixo na venda da safra e alta nos custos

TIAGO FRANCISCO/TIAGO FRANCISCO/FARSUL/DIVULGAÇÃO/JC

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, analisa as perspectivas do agronegócio gaúcho para este ano.

Jornal do Comércio – Que impacto a supersafra poderá ter na economia do Estado?

Carlos Sperotto – Vivemos em um Estado onde a agricultura e os demais setores são muito interligados. Uma safra agrícola requer mais insumos, o que gera demanda para indústrias e serviços. Produzir mais significa mais fertilizantes, máquinas, peças, químicos, combustíveis etc. Ter uma produção grande gera atividade para as indústrias cerealistas, cooperativas e tradings. Uma safra grande faz com que o Estado ande em ritmo melhor. Uma supersafra é mais importante para a economia do Estado do que para o produtor. Para o produtor, o que interessa é a rentabilidade, que por sua vez não depende necessariamente do tamanho da safra.

JC – Eventos como a Expodireto e a Expoagro apresentaram grande volume de negócios neste ano. Isso indica otimismo no setor?

Sperotto – Esses eventos são termômetros positivos, mas ainda não podemos falar em otimismo. Os valores encaminhados de negócios são melhores do que os dos últimos dois anos, mas muito abaixo do patamar pré-crise. Podemos dizer que saímos de uma situação de pessimismo ou incerteza, mas não dá para falar em otimismo ainda. Os preços baixos de comercialização somados aos altos custos para escoar a safra, por falta de infraestrutura, não permitem um otimismo convincente.

JC – Para onde os produtores poderão direcionar investimentos em 2017?

Sperotto – Creio que os principais investimentos serão de reposição, e não de expansão, ou seja, os investimentos deverão se concentrar na manutenção do nível de capital investido, mas não na sua ampliação. Ampliar o capital significa maior produção; mas, sem ter como escoar, não faz sentido aumentar aos atuais níveis de preço.

JC – Como o setor público poderia ajudar o agronegócio na busca de novos mercados – dentro e fora do Brasil?

Sperotto – O governo não investe em infraestrutura e não permite que o setor privado invista. A consequência é esta que estamos vendo. A grande contribuição do governo seria proporcionar uma infraestrutura adequada aos volumes que produzimos, tendo um modelo logístico apoiado em hidrovias e com um papel importante das ferrovias. As hidrovias não são entregues aos usuários, e as ferrovias estão abandonadas, sem que o governo e a agência regulatória do setor tomem providências adequadas. Nossos governos devem se ajustar ao papel moderno do Estado, qual seja: regular. Regular exatamente o que concedeu.

JC – A soja se apresenta como grande protagonista do agronegócio. Na sua opinião, esse é um mercado que ainda poderá crescer e atrair cada vez mais produtores, ou está se aproximando de uma fase de estabilidade?

Sperotto – O consumo de soja deve crescer 26% nos próximos 10 anos na Ásia. A China vem aumentando o consumo em 6% ao ano, logo não acreditamos em estabilidade ao longo desse ciclo. Nossa produção cresce verticalmente, com aumento de produtividade, e não necessariamente de área.

Fonte: Jornal do Comércio |