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Agropecuária é responsável por maior parte das emissões de gases do efeito estufa no RS, aponta estudo

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Fonte: ZERO HORA | Humberto Trezzi

Setor representa 67,7% das emissões no Estado

Nada menos do que 67,7% dos gases responsáveis pelo efeito estufa no Rio Grande do Sul são provenientes de atividades agropecuárias. Mais especificamente, 34,3% gerado pela agricultura e 33,4%, pela criação de gado. O restante, na maior parte, surge do uso de energia, especialmente da queima de combustíveis.

A estimativa consta do Plano Ar, Clima e Energia (Pace), projeto de cooperação entre o governo francês e Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) para verificar as condições ambientais do Estado. Desenvolvido durante um ano e meio, o estudo visa melhorar a qualidade do ar no Rio Grande do Sul. Para isso, será necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa, causadores de mudanças climáticas, e racionalizar a gestão da energia.

Os resultados do Pace, serão discutidos nesta terça, dia 28, em seminário no Clube do Comércio, em Porto Alegre (RS). Estarão presentes representantes de agências do governo federal e da França, de entidades ambientais do Paraná e Mato Grosso do Sul, de Itaipu Binacional, além de autoridades do Estado.

Agropecuária tem impacto nas emissões em todo o mundo

Não chega a ser novidade o impacto que a agropecuária, sobretudo o gado, tem nas emissões de gases. Isso ocorre em todo o mundo, sendo a principal fonte de poluição em locais pouco industrializados. A novidade está no fato de que nunca tinha sido mensurado no Rio Grande do Sul. Conforme a consultora ambiental francesa e coordenadora do Pace, Charlotte Raymond, metade das emissões agropecuárias que atingem as altas atmosferas devem-se à fermentação entérica de gado, o gás produzido pela digestão do pasto, e queima de vegetais para plantio de pastagem – as queimadas.

As emissões gases no Estado foram estimadas em cerca de 59 milhões de teq CO2 (toneladas equivalentes a CO2, dióxido de carbono), para o ano base 2005. Charlotte ressalta que isso se trata de um excesso, mesmo que seja similar a outras regiões do globo.

O diagnóstico também alerta para os riscos que a população do Rio Grande do Sul está exposta com relação a mudanças climáticas. Caso nada mude, o cenário é de aumento da temperatura entre 1°C e 4°C até 2100, crescimento nas chuvas entre 5% e 10% até 2050 e inundações com frequência cada vez maior.