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Agropecuária mantém crescimento em relação a 2014, diz IBGE

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Setor teve retração no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro, mas é o único que está melhor que no ano passado

agricultura_soja (Foto: Thinkstock)

Com crescimento na produção, soja ajudou a manter o desempenho da agropecuária melhor que o do ano passado (Foto: Thinkstock)

O setor agropecuário foi exceção na economia brasileira e apresentou um crescimento de 1,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período em 2014. A informação está no relatório do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta sexta-feira (28/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, a geração de riquezas do setor foi de R$ 76,1 bilhões.

“O resultado pode ser explicado pelo desempenho de alguns produtos que possuem safra relevante no segundo trimestre e pela produtividade. Com exceção do café e do feijão, que apresentaram queda de produção, os demais produtos com safra neste trimestre registraram ganho de produtividade e crescimento: soja (11,9%), milho (5,2%), arroz (4,4%), mandioca (2,3%) e cana de açúcar (2,1%)”, informa o comunicado.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o desempenho da agropecuária acompanhou o dos demais segmentos analisados e apresentou retração de 2,7%. Especialmente neste período, houve maior preocupação do setor, especialmente com a escassez de crédito para pré-custeio, com consequente demora nas entregas de insumos, como fertilizantes. Houve demora também na definição das taxas de juros do Plano Safra para 2015/2016, em função das discussões do ajuste fiscal proposto pelo governo.

No entanto, a retração no segundo que não impediu que o setor fechasse o primeiro semestre com resultado positivo. A soma da riqueza gerada pela agropecuária foi 3% maior que a do mesmo período no ano passado. No acumulado de 12 meses, o crescimento é de 1,6%.

Resultado geral

Como um todo, a economia brasileira apresentou retração de 2,6% na comparação do segundo trimestre deste ano e de 2014. Em valor absoluto, o PIB foi de R$ 1,428 trilhão. O pior resultado foi o da indústria, que teve queda de 5,2%. O setor de serviços teve queda de 1,4%. Consumo das famílias caiu 2,1% e os gastos do governo tiveram redução de 1,1%.

Em relação ao primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira teve retração de 1,9%. Além do desempenho negativo da agropecuária nesta comparação, pesaram as retrações de 4,4% da indústria e de 0,7% do setor de serviços. O único item analisado que cresceu, de acordo com o IBGE foram os gastos do governo (+0,7%). O consumo das famílias caiu 2,1%.

Os dados do IBGE reforçam a queda dos investimentos no Brasil. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 11,9% no intervalo de abril a junho de 2015 em comparação com o mesmo período no ano passado. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, a redução é de 8,1% e no acumulado do primeiro semestre, de 9,8%. A taxa de investimento em relação ao PIB é de 17,8%. A taxa de poupança encerrou o segundo trimestre em 14,4% do PIB.

“Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital, e também pelo desempenho negativo da construção civil”, diz o IBGE.

POR RAPHAEL SALOMÃO

Fonte : Globo Rural