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Agropecuária lidera crescimento gaúcho no primeiro trimestre

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Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

Economia gaúcha avançou 7,3% na comparação com o mesmo período de 2010, aponta FEE.

FREDY VIEIRA/JC
Ritmo de expansão da indústria está estabilizado sem retomar índices anteriores à crise de 2008, diz
Ritmo de expansão da indústria está estabilizado sem retomar índices anteriores à crise de 2008, diz

O Índice Trimestral da Atividade Produtiva (Itap), calculado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), mostrou que as produções de arroz e fumo puxaram o crescimento econômico do Estado durante o primeiro trimestre do ano. O Itap estimou o incremento em 7,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O estudo, coordenado pelo economista Martinho Lazzari, do Núcleo de Contabilidade Social da FEE, mostra que houve expansão nos três setores tradicionais da economia: a agropecuária cresceu 26%, a indústria, 2%, e os serviços, 6,2%. Porém, o detalhamento dos dados mostra que o crescimento está fundamentado na lavoura, que cresceu 33,4%, principalmente nas culturas de arroz (27,6%) e de fumo (38,7%).
"Arroz e fumo sozinhos explicam mais de 30 pontos percentuais do crescimento médio da atividade agrícola no primeiro trimestre e respondem por 2,3 pontos percentuais do Itap total, de 7,3%.", explicou o economista ao dizer que a área cultivada com arroz aumentou 7,6% e a produtividade cresceu 18,9% frente ao ano passado. No caso do fumo, o aumento se deve basicamente à produtividade, que cresceu 42,6%, enquanto a área expandiu 1,2%. O crescimento dos serviços, de 6,2%, reflete o bom momento da construção civil, já que a base da expansão do setor está no comércio (que aumentou, em média, 10,3%), com destaque para a venda de material de construção, que teve crescimento de 43,9%.
Na indústria, o aumento de 2% no primeiro trimestre do ano demonstra um comportamento bastante desigual entre as atividades. Enquanto o bom desempenho das exportações e o amplo mercado interno garantiram crescimento expressivo para máquinas e equipamentos (11,8%), alimentos (8,5%, com destaque para os produtos feitos a partir da soja) e veículos (4%, puxado por autopeças, carrocerias, carretas e reboques), o período foi de perdas para a indústria da celulose (-8,9%) e para o setor moveleiro (-26,1%). "A indústria foi o setor que mais sentiu a crise econômica desencadeada em 2008, voltou a crescer em 2010, mas agora demonstra estabilização no ritmo de crescimento sem ter voltado aos patamares produtivos do terceiro trimestre de 2008, quando foi verificado o auge da produção", pontua
Lazzari.
A supervisora do Centro de Informações Estatísticas, Cecília Hoff, observa que os setores industriais mais ligados a commodities tiveram um crescimento maior. Segundo ela, a alta demanda por commodities brasileiras alavanca o crescimento da indústria alimentícia que, por sua vez, puxa a indústria de máquinas, que tem grande valor agregado e mercado nos países membros do Mercosul.
A economista observa, também, que nos setores em que há uso intensivo de mão de obra, como o coureiro-calçadista e o moveleiro, a concorrência com os produtos chineses é muito grande e, internamente, o Rio Grande do Sul possui custos maiores que os de outros estados. Por isso esses nichos sentem mais a pressão cambial. "O câmbio desfavorável às exportações é prejudicial também para os setores que tiveram crescimento, mas é um fator ao qual essas empresas conseguem se ajustar melhor pelas características de seus mercados. Já para as empresas que fazem uso intensivo de mão de obra, o impacto é maior e o que se vê é a perda de produtividade", explica.
Pela primeira vez desde quando começou a calcular o Itap, em 2003, a FEE fez uma comparação com o trimestre imediatamente anterior ao período da pesquisa. Neste caso, a economia gaúcha cresceu 2,4%, já considerados os ajustes sazonais. Este é o oitavo trimestre seguido de crescimento do índice.