Agronegócios – Rondônia amplia área de produção de robusta

Cafeicultores do Estado apostam na atualização de cafezais com mudas adaptadas ao clima da região e esperam aumentar os volumes produzidos e a área cultivada com a variedade em breve

Produtores locais têm obtido ganhos de produtividade utilizando as chamadas mudas de café clonal

Produtores locais têm obtido ganhos de produtividade utilizando as chamadas mudas de café clonal
Foto: ADS Brasil

São Paulo – Animados com o aumento da produtividade nas lavouras de café robusta em Rondônia, produtores devem voltar a ampliar a área em 2018. Nos próximos cinco anos, a expectativa para a produção – que atingiu 2 milhões de sacas neste ano – seja duplicada.

A área de cafezais em 2017 atingiu 83,3 mil hectares, queda de 13,5% em relação ao ano passado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para o próximo ciclo, porém, a estimativa é de que a área cresça 9,6% no ano que vem, para 91,3 mil hectares, projeta o agrônomo da Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RO), Janderson Dalazen.

Esse incremento se deve à expectativa de plantio de 20 milhões de mudas de café robusta no próximo ano. Em 2017, 14 milhões de mudas foram plantadas no Estado.

"Estamos há alguns anos renovando as áreas e à medida que esses pés começarem a produzir, a colheita deve crescer de 300 a 400 mil sacas por ano", estima Dalazen.

O que motivou os 22 mil produtores do Estado a ampliar a aposta na cultura foi o aumento da produtividade alcançado desde que o Estado passou a substituir as mudas de café tradicionais pelas de café clonal, mais adaptadas ao clima da região.

"Nos últimos cinco anos, a produtividade média saltou de 14 sacas por hectare para 28 sacas por hectare", informa Dalazen. A média registrada pela Conab no ciclo encerrado em agosto foi de 26,1 sacas por hectare, alta de 40,6% em relação à safra passada.

Qualidade

Entre os produtores que optaram por expandir a produção está Ronaldo da Silva Bento, de Cacoal, no leste do Estado.

Em uma propriedade de 12 hectares, ele mantém 18,5 mil pés de café robusta em metade da área e dedica os outros seis hectares à produção de milho para pamonha. "Eu estava cansado de perder o milho cultivado para as galinhas criadas pelo meu vizinho. Para manter a amizade, decidi aumentar a área usando café clonal". Na última safra ele colheu 145 sacas por hectare e, em dezembro, ampliará em mais dois mil hectares a área da cultura.

O trabalho de Bento foi premiado no 2º Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé), promovido pela Pinhalense e entregue na última quinta-feira no Estado. Ele foi vencedor na categoria sustentabilidade. "O melhor café precisa ser produzido em condições responsáveis", avalia o gerente do Programa Brasil da Plataforma Global do Café, Pedro Ronca.

O presidente da empresa de máquinas que patrocinou o prêmio, Reymar de Andrade, acredita que o Estado tem potencial para ser o maior produtor de café robusta do País, ultrapassando o Espírito Santo. "É uma cafeicultura jovem e receptiva à tecnologia, há muito espaço para crescer", define.

Marcela Caetano

Fonte : DCI