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AGRONEGÓCIOS – Área de milho segue encolhendo no Rio Grande do Sul

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Conab aponta para uma redução de 12% nas lavouras gaúchas

Conab aponta para uma redução de 12% nas lavouras gaúchas

A redução de 12% na área cultivada com milho no Rio Grande do Sul na safra 2017/2018 será uma das marcas do ciclo de produção agrícola iniciado no Estado com a nova safra de verão. A queda na produção pode representar quase um milhão de toneladas a menos disponíveis no mercado.

Os dados divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu terceiro levantamento sobre a nova safra revela, ainda, que a queda é uma constante há seis anos. Serão apenas 708,3 mil hectares cultivados com o grão, o que representa a menor área semeada com milho na história do Estado e praticamente 50% do que já foi cultivado no Estado há 10 anos.

A desvalorização do grão é o grande responsável pelo encolhimento da área, que recebe, cada vez mais sementes de soja em seu lugar. Ainda que a oleaginosa também tenha recuo nos preços (de cerca de 15% em um ano), o baque na cotação do milho tem sido mais pesado. O grão despencou de R$ 39,13% em 8/12/2016, de acordo com dados da Emater, para R$ 26,98 em 07/12/2017, queda de 31% em apenas 12 meses.

Levando-se em conta condições climáticas menos favoráveis neste ciclo do que no passado, a produtividade estimada pela Conab no Estado deve ser 15,5% menor. No restante do Brasil, o cenário não é diferente: o País deve registrar a menor área plantada com milho da história (4,9 milhões de hectares, ante quase 10 milhões no ciclo 2007/2008).

Ainda segundo a Conab, nacionalmente, há um complicador na chamada safrinha. Na região do Mato Grosso, por exemplo, a colheita da soja deverá atrasar devido ocorrência de chuva no período do plantio, encurtando a janela de semeadura e a produtividade da segunda safra de milho.

No caso do Rio Grande do Sul, o baque do grão só não é maior do que a queda drástica na colheita de trigo, que encerra 2017 com perda de 48,9%. O problema, de acordo com o superintendente regional da Conab, José Ramão Bicca, foi principalmente o excesso de chuva em setembro, que gerou atraso na colheita e prejuízo na qualidade do cereal.

"O que sobrou serve apenas para ração animal, com baixo valor no mercado. Se calculado investimento e a perda de quase metade da área (de 699,2 mil hectares), o prejuízo financeiro é de quase R$ 500 milhões, contando a baixa qualidade e o que não foi colhido", diz Bicca.

No País, estimativa para safra 2017/2018 indica diminuição de 4,7% na produção agrícola

A produção brasileira de grãos na safra 2017/2018 deve alcançar 226,5 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 4,7% em relação à safra passada, de 237,7 milhões de toneladas, que foi considerada um feito excepcional do setor agrícola brasileiro. Os números fazem parte do 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem. Apesar da queda, a expectativa é de que o clima favoreça o bom desenvolvimento das lavouras.

O plantio das principais culturas já terminou, segundo a Conab. Soja e milho continuam com a preferência do produtor, e respondem por cerca de 89% dos grãos produzidos no País em 2017/2018. A soja deve alcançar 109,2 milhões de toneladas em comparação com 114,1 milhões de toneladas do período anterior, representando queda de 4,3%.

Já a expectativa para a safra total de milho é de 92,2 milhões, em comparação com 97,8 milhões de toneladas (queda de 5,7%, distribuídos entre primeira e segunda safras no período 2016/2017. A primeira safra pode alcançar números menores no ciclo atual e ficar em 25 milhões de toneladas, enquanto que a segunda safra pode alcançar 67,2 milhões de toneladas, quase igualando ao registro da produção passada de 67,4 milhões de toneladas.

De acordo com a Conab, a área total plantada em 2017/2018 deve crescer 0,9%, podendo alcançar 61,5 milhões de hectares, favorecida pelo aumento do plantio de soja e algodão. A soja, graças à maior liquidez e à possibilidade de melhor rentabilidade em relação a outras culturas, deve ter uma elevação média de 3,1%, podendo alcançar 35 milhões de hectares – aumento de 1 milhão de hectares frente a 2016/2017. Já a área do milho primeira safra deve diminuir 9,6%, o que vai refletir na área total da cultura, estimada em uma redução de 528 mil hectares.

Quanto à produtividade, apenas a soja apresenta informações colhidas em campo, que apontam para uma produtividade de 3.123 quilos por hectare em comparação com 3.364 quilos por hectare da safra anterior.

/EMATER/DIVULGAÇÃO/JC

Thiago Copetti

Fonte : Jornal do Comércio