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Agronegócios – Produtores de trigo diminuem área semeada

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A Farsul, que representa agricultores do Rio Grande do Sul, verificou uma redução de 15% na plantação da temporada atual ( 2017/2018) em relação a safra passada, para 650 mil hectares

As lavouras do Estado do Paraná também registraram um redução

As lavouras do Estado do Paraná também registraram um redução
Foto: Dreamstime

São Paulo – Na reta final do plantio do trigo na safra 2017/2018, os dois maiores produtores do cereal no País, Paraná e Rio Grande do Sul, confirmam a expectativa de redução da área cultivada. Para entidades, preços em baixa desestimularam os triticultores da Região Sul.

O presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Jardim, afirma que a área cultivada deve ter redução de 15% em relação ao ciclo passado, para 650 mil hectares na safra 2017/2018. "O produtor está desestimulado por não conseguir receber sequer o preço mínimo", comenta ele.

O valor estabelecido pelo governo federal é de R$ 37,26 para o ciclo atual, 3,5% menor que o determinado para a safra 2016/2017, que foi de R$ 38,65 por saca de 60 quilos. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o preço médio pago pela saca no Rio Grande do Sul está em R$ 32,04. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o valor pago pela tonelada caiu 26,5% nos últimos 12 meses. Na sexta-feira (14), a tonelada de trigo saiu a R$ 665,22.

Jardim calcula que o produtor precisará colher 3,6 mil quilos – o equivalente a 60 sacas – por hectare para recuperar o custo de produção, de R$ 2,1 mil por hectare. A produtividade estimada no Estado pela Emater/RS em maio para a safra 2017/2018 é de 2,4 mil quilos ou 40 sacas por hectare.

Os preços pouco atrativos para o cereal também levaram os triticultores do Paraná a reduzirem a área cultivada no ciclo atual. A queda de área prevista para a safra 2017/2018 é de 11%, para 977 mil hectares, 120 mil hectares a menos que em 2015/2016. "A retração foi até pequena diante das perdas econômicas dos produtores", salienta o analista de trigo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, Carlos Hugo Godinho. "Isso mostra que ainda há uma aposta na cultura", salienta.

O preço médio pago pela saca de 60 quilos no Estado foi de R$ 32,22 no mês de junho, 28% menor que o valor praticado no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Deral. "O custo de produção está estimado em R$ 37 por saca. O produtor já está no prejuízo", afirma o analista. O Estado deve produzir 3 milhões de toneladas neste ciclo.

Clima

No maior produtor de trigo do País, a preocupação é com as baixas temperaturas. O Paraná já tem 98% da área cultivada e quase metade desse total podem registrar prejuízos caso geadas ocorram.

As áreas mais sensíveis são as semeadas entre abril e maio e que estão em fase de desenvolvimento do grão. "Se a previsão de frio se confirmar poderemos ter problemas", avalia Godinho.

Conforme o analista, a área de principal atenção nesse momento é o oeste do Estado, em que o plantio foi feito "no cedo" e a previsão é de geada mais intensa. "Se a geada ocorrer na fase reprodutiva da cultura irá prejudicar a formação da espiga", explica o analista do Deral. Para a região norte, a previsão é de geada mais fraca e a preocupação é menor.

Por outro lado, uma perda causada por uma geada intensa poderá dar sustentação aos preços pagos ao produtor.

Segundo Jardim, da Farsul, os produtores gaúchos tiveram que lidar com excesso de chuvas no começo da safra e com a estiagem prolongada – que dificultou a emergência das plantas – ao longo do período de plantio, que deve ser encerrado nesta semana. "Mas não creio que isso deva prejudicar o resultado da safra", pondera. "O produtor está fazendo tudo que está ao seu alcance e ainda temos muitos meses pela frente para saber como a safra se encerrará", acrescenta.

Em seu boletim mais recente, divulgado no dia 13 deste mês, a Emater relata que a continuidade do clima seco e de temperaturas elevadas levou a redução da umidade do solo e consequente paralisação do crescimento das plantas.

O solo seco dificulta também o avanço do plantio. O Rio Grande do Sul tinha 87% da área plantada até o final da última semana, abaixo da média de 92% para o período, segundo a Emater.

Marcela Caetano

Fonte : DCI