.........

Agronegócios – Produtor capitalizado busca mais crédito

.........

Banco de fabricantes e de varejo levam para Agrishow facilidades e projetam expansão da demanda, em função das perspectivas positivas de produção e Plano Safra

Aumento da produtividade dos agricultores eleva necessidade de investir em máquinas e técnologia Aumento da produtividade dos agricultores eleva necessidade de investir em máquinas e técnologia
Foto: Dreamstime

Ribeirão Preto (SP) – A demanda por crédito voltou a crescer neste ano, puxada pela maior capitalização dos produtores e uma boa expectativa do mercado, dizem executivos ouvidos pelo DCI.

"Este ano está bem melhor, porque o produtor está capitalizado e não há uma expectativa de frustração em relação a safra, que deve ser muito boa", afirmou o diretor comercial e de marketing do Banco CNH Industrial, Marcio Contreras.

Ele espera aumentar em 15% os financiamentos feitos pelo banco de fábrica durante a feira de máquinas Agrishow está semana, em Ribeirão Preto (SP). No evento, o banco chega a fechar 30% dos negócios no ano. "Mas ainda é preciso ter uma definição sobre o Plano Safra 2017/18. Se a taxa de juros do plano mudar, isso pode ter um efeito positivo ou negativo sobre a demanda", avalia.

No último ano, os detalhes sobre o Plano Safra, uma das principais fontes de financiamento dos produtores agrícolas, foram divulgados no início da feira de venda de máquinas, o que deu maior previsibilidade aos produtores na hora de financiar equipamentos com outras fontes de crédito. Mas, neste ano, o governo ainda não anunciou o volume de crédito e a taxa do próximo Plano Safra.

Para a gerente comercial do AGCO Finance, Simone Scherer, a taxa de juros é mais importante que o volume a ser disponibilizado pelo governo no Plano Safra. "Se a taxa for menor, como o subsídio do governo terá que ser maior, consequentemente o volume de recursos diminui", disse ela.

Apesar de aguardarem a divulgação dos detalhes sobre o Plano Safra, os executivos dos bancos estão confiantes de que a demanda por financiamento não deve ser muito afetada por eventuais mudanças na taxa de juros. "O mercado agrícola está muito positivo e o investimento que as marcas [de máquinas] tem feito também ajuda a estimular a demanda", destacou Simone.

Ela lembrou ainda que, com o aumento da produtividade dos agricultores, a necessidade de investir em máquinas maiores ou mais tecnológicas ajuda a incrementar a demanda. "O agricultor profissional precisa investir todo ano. E, mesmo que mais para frente ele não renove toda a frota de máquinas dele, ainda tem muito para crescer", observa a executiva.

Concorrência

Diante das perspectivas positivas, o interesse dos bancos de varejo no segmento rural também cresceu e a concorrência deve ficar mais acirrada, começando pelo financiamento de máquinas e equipamentos.

"O financiamento da máquina é a porta de entrada do produtor no banco, então os bancos de varejo são concorrentes nesse mercado, mas estamos crescendo nas concessionárias. Então não estamos perdendo participação e sim ganhando", conta Simone.

Nos três primeiros meses do ano, o volume de financiamentos da AGCO cresceu 20% na comparação com o mesmo período do ano passado. Este ano, o banco deve ampliar em 16% o volume de recursos em financiamento, depois de crescer apenas um dígito em 2016.

Contreras, do banco CNH, vê com naturalidade o aumento da oferta de crédito ao produtor. "Como a economia como um todo está difícil, é normal os bancos procurarem mercados mais saudáveis, como o agronegócio".

Além do Banco do Brasil e do Bradesco, o Santander está com uma estratégia agressiva de crescimento no agronegócio. Para a Agrishow, o banco tem R$ 1,2 bilhão em crédito pré-aprovado para financiamentos aos produtores rurais. "A participação do banco estava limitada ao crédito rural, máquinas e equipamentos, mas queremos oferecer a solução completa para o produtor", comenta o superintendente executivo de agronegócios do Santander, Carlos Aguiar.

No último ano, o crédito rural do Santander subiu 47,7%, para R$ 8,958 bilhões, muito acima dos outros bancos com o mesmo perfil. Já carteira de crédito do Santander no agronegócio soma R$ 40,5 bilhões, uma fatia pequena quando comparada a carteira total do banco. /A repórter viajou a convite da organização do evento.

Jéssica Kruckenfellner

Fonte : DCI