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Agronegócios – Plano safra será robusto e dentro do esperado, diz Geller

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O secretário de Política Agrícola garantiu, em evento do setor, avanços para melhorar programas prioritários, como armazenagem e acesso à tecnologia

O governo federal estuda um  aumento no volume de recursos para o seguro rural no ano que vem

O governo federal estuda um aumento no volume de recursos para o seguro rural no ano que vem
Foto: Dreamstime

São Paulo – Os valores do Plano Safra para a agricultura empresarial, que deve ser anunciado no próximo dia 07, "serão bastante robustos", afirmou ontem o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.

"Teremos uma surpresa, se não muito positiva, dentro do que o setor necessita", garantiu ele, durante o evento Perspectivas do Agronegócio 2017-2018, realizado pela B3.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia sinalizado que a oferta de crédito oficial para o campo será de R$ 185 bilhões, valor próximo ao do ano passado.

"Vamos ter alguns avanços bastante importantes para melhorar ainda mais alguns programas prioritários, como armazenagem e acesso à tecnologia", acrescentou Geller.

Segundo o secretário, a intenção é permitir o financiamento de equipamentos, inclusive importados, que permitam a conectividade das propriedades por meio de projetos como o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro).

Ele reforçou que os juros devem ser 1 ponto percentual inferiores aos do ciclo passado, conforme Maggi já havia adiantado. "Essa redução da taxa de juros não estava prevista. É uma conquista do setor. Se vamos destinar R$ 8,9 bilhões para a equalização dos juros é porque não temos mais para gastar. É o limite.".

Segundo o secretário, também haverá avanço no seguro rural. "Esse é um dos itens que ainda não fechamos, o volume do recurso, mas estamos fazendo contas para que seja mais elevado para o ano que vem." O limite para o crédito de custeio, que foi de R$ 3 milhões no ciclo anterior, deverá ser mantido.

PIB

O secretário demonstrou pouca surpresa com relação ao crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre 2017 em relação ao trimestre imediatamente anterior, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, sobre o primeiro trimestre de 2016, houve queda de 0,4% no PIB.

A agropecuária contribuiu com alta de 0,8 ponto porcentual para o crescimento da economia nos três primeiros meses de 2017, ao registrar um crescimento de 13,4% na mesma base de comparação.

"A safra recorde de grãos teve um peso significativo neste resultado, uma vez que a produção no ciclo atual cresceu 22%, para 232 milhões de toneladas", destacou Neri Geller.

Safra

Para esta temporada, o sócio da Agroconsult, André Pêssoa, estimou produção recorde de 100 milhões de toneladas de milho. Na safra verão, o Brasil colheu 31 milhões de toneladas e a colheita da safrinha teve início recentemente. Caso a estimativa se consolide, haverá um incremento de 50,3% ante o resultado de 66,5 milhões de toneladas no ciclo anterior.

Já a temporada 2017-2018 deverá ser definida pelo câmbio, na opinião do analista. "Para o produtor brasileiro, a taxa de câmbio é que determinará a rentabilidade e a previsão de plantio vai depender disso", observou Pêssoa.

Ele estima o acréscimo de 1 milhão de hectares nas lavouras brasileiras. "Aumento vai ter. Quanto mais desvalorizado estiver o real, maior o incentivo", pontuou ele.

Pessôa avalia que, caso o câmbio fique perto de R$ 3,20, as exportações de soja deverão atingir 61 milhões de toneladas e as de milho, 32,5 milhões de toneladas. "Menos que isso, mais próximo de R$ 3, o câmbio inibe esse movimento", afirmou. "Não me surpreenderia se esse volume chegar a 35 milhões de toneladas".

Marcela Caetano

Fonte : DCI