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AGRONEGÓCIOS – Plano Safra gaúcho terá crédito de R$ 3,2 bilhões

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Governador José Ivo Sartori reuniu secretários, bancos e entidades, no Palácio Piratini, para fazer o anúncio

Governador José Ivo Sartori reuniu secretários, bancos e entidades, no Palácio Piratini, para fazer o anúncio

As instituições bancárias ligadas ao governo do Estado (Banrisul, Badesul e BRDE) disponibilizarão R$ 3,2 bilhões em recursos ao crédito agrícola para a próxima safra. Segundo o Palácio Piratini, o valor do chamado Plano Safra Gaúcho, anunciado ontem, é recorde – o pacote representa um aumento de 6,66% em relação aos R$ 3 bilhões disponibilizados no período anterior. Embora siga as diretrizes do Plano Safra federal, porém, o governo estadual afirma ter dado enfoque especial à armazenagem, à retenção de matrizes na ovinocultura e à implantação de pomares de oliveiras e nogueiras.

"A armazenagem é um gargalo que estamos enfrentando, ainda mais com a produção crescendo", justificou o secretário da Agricultura, Ernani Polo, sobre a escolha das prioridades. Os recursos para a área, dentro da linha Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), seguem os juros estipulados pela União, de 6,5% ao ano (abaixo dos 7,5% do ano passado). O governo, porém, não estimou quanto dos recursos serão destinados a cada linha, decisão que cabe a cada banco.

O maior volume ofertado virá do Banrisul, que disponibilizará R$ 2,2 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão proveniente de recursos próprios. Os valores destinados pelo BRDE (R$ 600 milhões) e pelo Badesul (R$ 400 milhões), por sua vez, são repasses de recursos do Bndes. No ano passado, segundo Polo, mais de 90% do crédito ofertado pelos bancos estaduais foram efetivamente tomados.

A pasta solicitou aos bancos que dessem ênfase também para a retenção de matrizes de ovinos, como forma de manter o plantel do Rio Grande do Sul. Já em relação às culturas de azeitona e noz-pecã, o trabalho foi realizado junto ao Ministério da Agricultura (Mapa), incluindo ambas dentro do Programa ABC (voltado à agricultura de baixa emissão de carbono).

Com isso, as culturas, que demandam alguns anos de crescimento dos pomares até iniciarem as colheitas, passam a acessar o crédito agrícola com prazos mais longos – até 12 anos para quitação, com oito anos de carência -, atendendo pleito já de algum tempo dos produtores. "Isso possibilita a criação de novos pomares dessas novas alternativas de geração de renda aos produtores", defende Polo. Os juros da linha são de 7,5% ao ano.

Em seu discurso, o governador José Ivo Sartori defendeu que o pilar da economia gaúcha está no agronegócio. "Acreditamos que o Plano Safra estadual é nosso compromisso com a produção rural", argumentou Sartori. O governador ressaltou que, com os recursos dos bancos federais e do Sicredi, que anunciou recursos de R$ 7,1 bilhões, os agricultores terão mais de R$ 20 bilhões em crédito, sem contar a atuação dos bancos privados.

Entre as entidades, os valores foram bem recebidos. "São recursos apenas complementares, porque a grande parcela do crédito é de origem federal, mas é algo importante para mostrar que o Estado está participando", afirma o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira. O dirigente, porém, critica as taxas de juros determinadas pelo governo federal, que, com a inflação anual prevista para em torno de 3%, se tornariam muito elevadas em termos reais. "Será um ano para sobreviver, não para fazer investimentos", projeta Pereira, lembrando ainda que os bancos devem continuar extremamente seletivos na concessão dos empréstimos, assim como no ano passado.

"Não dá para dizer que o anunciado é ruim, é ótimo. No que não é da porteira para dentro, porém, ainda falta muito", acrescenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva. O presidente da entidade que representa a agricultura familiar critica principalmente o fechamento de escolas de comunidades e a insegurança no campo, pois dificultam a manutenção dos agricultores no Interior.

Faturamento das cooperativas do Rio Grande do Sul atinge R$ 41,2 bilhões

Carolina Hickmann

Com volume de negócios que representa pouco mais de 10% do PIB do Estado, as cooperativas tiveram mais um ano de expressivo crescimento em 2016. Apesar da conjuntura econômica pouco favorável, o setor aumentou em 14,22% o seu faturamento na relação com o ano anterior, atingindo R$ 41,2 bilhões frente aos R$ 36,1 bilhões de 2015. O incremento é semelhante ao alcançado na comparação entre 2014 e 2015, quando a alta registrada foi de 15,75%. Os números foram revelados pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs) no Tá na Mesa da Federasul.

Só o ramo do agropecuário registrou faturamento de R$ 25,4 bilhões em 2016, valor que representa aumento de 34,6% da atividade dentro do sistema cooperativista nos últimos cinco anos. O setor agropecuário cresceu acima da média, com alta de 14,51%. Para tanto, foram investidos mais de R$ 2,5 bilhões nas cadeiras de soja, milho, arroz e trigo nos últimos quatro anos. Na avaliação do presidente da Ocergs, Vergílio Perius, parte da receita para manter a evolução em anos de economia desfavorável está na participação ativa dos cooperativados no momento de tomada de decisões. "A parte boa da crise é que as pessoas se tornam mais unidas", argumentou durante a divulgação dos números do cooperativismo gaúcho.

O outro motivo para a prosperidade do segmento foram os investimentos realizados em qualificação de pessoal, na avaliação de Perius. Segundo o presidente, em média 600 associados receberam algum tipo de treinamento durante o ano passado em cada uma das 420 cooperativas do Estado. Em 2016, cerca de R$ 30 milhões foram disponibilizados para treinamento através do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul (Sescoop). Perius garante que os investimentos serão mantidos como prioridade.

O ano passado também foi de incremento das sobras, como é conhecido o lucro das cooperativas. O excedente de R$ 1,5 bilhão representou crescimento de 15,38% frente aos valores de 2015, quando as cooperativas arrecadaram R$ 1,3 bilhão em sobras. Os principais resultados, além da agropecuária, foram o crédito, com incremento de 18,54%, atingindo ingresso de R$ 8 bilhões, e a saúde, com alta de 9,88% e total de R$ 5,9 bilhões.

Mesmo com os números positivos dos últimos anos, o presidente da Ocergs argumenta que o poder público precisa entender a realidade do cooperativismo e criar políticas públicas que atendam às especificações do segmento – especialmente no que tange à habitação. "Já construímos 15 mil casas por ano em Porto Alegre e, no ano passado, não chegamos aos 5 mil", comenta Perius, que reclama da falta de uma política bem definida para o setor. "Poderíamos estar em outro patamar, caso houvesse", lamenta.

O presidente da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Márcio Lopes de Freitas, lembra que o momento é propício para investimentos por parte do governo no cooperativismo. "A humanidade busca ferramentas de economia colaborativa, de participação mais intensa nas decisões", lembra.

Assembleia geral de credores aprova a recuperação judicial da Campo Lavoura

Os credores da Campo Lavoura Agronegócios aprovaram, na terça-feira, durante assembleia geral em Augusto Pestana, o plano de recuperação judicial da empresa em todas as classes. O quadro é composto de 703 credores, entre trabalhadores, credores com garantia real, quirografários e pequenas empresas e microempresas, totalizando um passivo total de R$ 148 milhões.

A empresa ingressou com o pedido de recuperação judicial em outubro de 2015 e protocolou seu plano em fevereiro de 2016. Neste processo, contou com a assessoria da Albarello & Schmitz, sob a coordenação de Luis Gustavo Schmitz que, além de atuar no processamento da recuperação, elaborou e defendeu o plano perante os credores.

A estratégia aprovada por todas as classes de credores foi a da retomada dos negócios com a concessão pelos bancos e fornecedores de prazos e encargos especiais, sendo que os produtores agrícolas receberão integralmente seus créditos em, no máximo, cinco anos. O que chama a atenção, segundo Schmitz, é a aprovação ágil da proposta. "Decisões sobre planos costumam levar meses entre pedidos de suspensão e modificações do plano até a votação definitiva", comenta.

Para que as condições aprovadas pelos credores entrem em vigor, o plano deverá receber a chancela do Poder Judiciário de Augusto Pestana, o que deverá ocorrer nas próximas semanas.

Fundada em 1994 na cidade de Joia, tornou-se uma das maiores empresas de agronegócio do Rio Grande do Sul. Hoje, atua na comercialização de grãos e insumos, armazenamento, transbordo e logística de grãos. A empresa possui 11 unidades de negócios nas regiões Noroeste e Centro Sul do Estado. Com a conclusão das obras em Santiago e Cacequi, ficará com capacidade de armazenamento de 2,59 milhões de sacas. A empresa faturou R$ 211 milhões em 2016 e em 2017, apesar de estar em recuperação judicial, deverá crescer aproximadamente 20%, embalada pela boa safra de soja.

DANI BARCELLOS/DANI BARCELLOS/PALÁCIO PIRATINI/DIVULGAÇÃO/JC

Guilherme Daroit

Fonte : Jornal do Comércio