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AGRONEGÓCIOS – Nova melancia conquista mercado brasileiro

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Pingo Doce está chegando às gôndolas dos supermercados do País

Pingo Doce está chegando às gôndolas dos supermercados do País

/THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC

Thiago Copetti, de Encruzilhada do Sul

Com quase nenhuma semente e muita doçura, uma nova variedade de melancia começa a ganhar o mercado consumidor e a preferência de produtores gaúchos para se diferenciar. Desenvolvida pela Bayer, a Pingo Doce começou a ser cultivada no Rio Grande do Sul em 2016 e agora, com produção maior, já está chegando à gôndolas dos supermercados brasileiros. Além do Rio Grande do Sul, apenas 10 agricultores já cultivam a Pingo Doce. Em todo o País, são apenas aproximadamente 40 agricultores.

A estreia da variedade – desenvolvida pela Bayer há mais de uma década, segundo o gerente de contas de melancia, Leonardo Herzog – foi primeiramente na Espanha, e mudou o hábito de consumo da fruta no país europeu. "Até a chegada dessa variedade ao mercado, o espanhol consumia 4,5 quilos de melão per capita, e 3,5 kg de melancia. Pouco após a variedade chegar ao mercado espanhol, os números se inverteram, e o da Pingo Doce, que lá se chama Fashion, chega hoje a 6,5 quilos", assegura.

O sucesso no mercado espanhol pode se repetir no Brasil por pelo menos outros três atributos além da doçura e da quase ausência de sementes. A conquista do paladar brasileiro tem como atributo, também, a saúde (tem o dobro de antioxidantes em relação ao normal). O segundo motivo é a logística: normalmente, a Pingo Doce tem entre 6 em 8 quilos, ante os cerca de 14 quilos da variedade comum, sendo mais fácil de transportar e armazenar na geladeira. O terceiro item é a durabilidade: dura mais tempo, preservando textura e sabor.

Para o agricultor, claro, o custo é maior (a semente, por exemplo, tem preço 25% acima do tipo comum), e o cultivo recomendado exige o uso de abelhas inseridas na lavoura em boa quantidade – o que também requer investimento. Os ganhos, no entanto, podem ser até 30% maiores, de acordo com Herzog e Gilberto Rambor, um dos pioneiros da Pingo Doce no Estado. Tradicional produtor em Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, Rambor comemora os resultados da atual safra, mesmo tendo perdido parte da produção pela falta de chuvas no ano passado. "A minha ideia era inovar, por isso resolvi começar com a Pingo Doce. Logo depois da primeira venda de uma carreta cheia, a compradora, de fora do Estado, encomendou mais duas", comemora o produtor.

Na atual colheita, Rambor atingiu cerca de 50 toneladas por hectare, considerado um bom volume por Herzog. Isso porque Rambor seguiu as recomendações de uso de uma caixa de abelha implantada a cada hectare cultivado. Logo que o cultivo foi iniciado no Brasil, afirma o executivo da Bayer, a produtividade foi baixa (de cerca de 25 toneladas por hectare, apesar de o potencial ser para 60 toneladas ou mais). Em missões técnicas à Espanha, diz Herzog, brasileiros descobriram o papel fundamental da abelha próxima ao cultivo. "Essa variedade precisa, mais do que qualquer outra, da polinização por abelhas. Mas o produtor brasileiro acreditava que as abelhas na natureza do entorno seriam suficientes, não faziam o manejo correto", explica Herzog, gaúcho, que priorizou iniciar os testes no Estado para poder acompanhar mais de perto a evolução.

Saiba mais sobre a Pingo Doce

O fator que torna a Pingo Doce mais durável é por ser uma fruta com poucas sementes (na maioria dos casos, as frutas são totalmente sem sementes), aliado a questões nutricionais e ao manejo. Esse conjunto de características torna a polpa da variedade mais vermelha, mais tenra e muito mais firme, com elevado teor de açúcar (com até 12 graus brix, ante 6 a 8 graus brix da comum). No Rio Grande do Sul, é cultivada desde 2016 nas cidades de General Câmara, Charqueadas, Bagé, Encruzilhada do Sul e Butiá. Hoje, a fruta também é cultivada nos estados de Goiás e São Paulo.

Novidades também na cebola

A linha de desenvolvimento de novas cultivares da Bayer tem ainda outra variedade que promete agradar os brasileiros: a cebola que "não chora". Denominada Dulciana, a variedade de cebola é mais doce, tem menos ácido pirúvico e menos enxofre, por isso não provoca lágrimas nem ardência na boca, mesmo quando comida crua. Além da capacidade de não fazer chorar, os pesquisadores buscaram outros diferenciais, entre os quais a resistência a pragas e doenças, e a maior produtividade.

Fonte : Jornal do Comércio