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AGRONEGÓCIOS – Marfrig confirma que vai reabrir unidade de Alegrete

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Expectativa é de que empresa contrate novamente 600 funcionários

Expectativa é de que empresa contrate novamente 600 funcionários

O Grupo Marfrig confirmou a reabertura do frigorífico em Alegrete, fechado em dezembro de 2016 com capacidade para abater 700 cabeças de gado por dia, através de nota divulgada à imprensa na noite de terça-feira. Com o fechamento da planta, foram demitidos 640 funcionários, dos quais apenas 30% conseguiram realocação no mercado de trabalho, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Alegrete. A expectativa é de que a empresa contrate novamente 600 funcionários – número ainda não confirmado pelo grupo.

A confirmação veio após uma série de audiências junto a Justiça do Trabalho e de diversas movimentações por parte do poder público estadual e municipal. O governo do Estado, inclusive, alterou regras do crédito presumido para o setor como maneira de aumentar o interesse dos frigoríficos locais junto a cadeia produtiva. Agora os abatedores de gado bovino, ovino e bufalino que integram o Programa Estadual de Desenvolvimento do Sistema Agroindustrial (Agregar-RS) terão a manutenção de seu crédito presumido em valor superior ao saldo devedor da empresa, devendo, ao final do período, ser estornado eventual saldo credor não utilizado. O decreto tem vigência até o dia 31 de dezembro deste ano.

"Mesmo que não exista ICMS a pagar, o frigorífico vai poder escriturar um saldo credor e manter o crédito para a operação do mês seguinte", explica o subsecretário da Secretaria da Fazenda, Mário Luis Wunderlich dos Santos, ao enfatizar que o Rio Grande do Sul está sofrendo com a concorrência de outros estados na cadeia de proteína animal. Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), o excesso de oferta de outros estados é de 60 mil bovinos ao mês.

O secretário lembra que, a partir de setembro, haverá grande oferta de gado agravando as consequências econômicas para o setor com o final da entressafra. "Além disso muitos países diminuíram a compra de carne brasileira em função dessas coisas que aconteceram (Operação Carne Fraca, delação do Grupo JBS e a barreira norte-americana à carne in natura brasileira), o que trouxe um excesso de produto ao mercado interno", comenta, ao lembrar que o frigorífico da Marfrig também deve ajudar no aumento do abate de gado criado no Estado. O governo acompanhará os resultados do decreto ao longo do semestre para decidir sobre uma possível prorrogação do prazo de vigência.

Tanto a medida, quanto a reabertura da planta são avaliadas como positivas não só para Alegrete, como para o Estado, pela prefeita da cidade sede do frigorífico, Cleni Paz (PP). A chefe do Executivo municipal participou das reuniões que culminaram na reabertura da planta no município, e lembra que a crise de empregabilidade está em todos os municípios. "Alegrete não é imune ao desemprego e tanto a cidade quanto o Estado têm tradição agrícola", ressalta, ao evidenciar a necessidade das vagas criadas diretamente e indiretamente pelas novidades.

Junto à Justiça do Trabalho, a Marfrig aceitou pagar multa de R$ 15 milhões caso a unidade não seja reaberta até 31 de outubro, previamente, chegou a ser cogitada a possibilidade da entrega da planta, como alternativa de manter a empregabilidade da região. A assessoria de imprensa da marca comenta que todas as medidas estão sendo tomadas para a imediata reabertura da planta, além de assegurar que o prazo será cumprido.

MARFRIG/MARFRIG/DIVULGAÇÃO/JC

Carolina Hickmann

Fonte : Jornal do Comércio