AGRONEGÓCIOS – Liquidante espera aval para arrendar silos

Cooperativa vive dias difíceis, sem dinheiro até mesmo para cobrir despesas diárias

Cooperativa vive dias difíceis, sem dinheiro até mesmo para cobrir despesas diárias

COTRIJUI/RECUPERAÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC

Thiago Copetti

Enquanto seguem as investigações do Ministério Público Estadual sobre possíveis fraudes na Cotrijui e que deve levar mais tempo para serem concluídas, outro embate sobre os rumos da cooperativa pode ter novidades nesta semana. De acordo com Rafael Brizola, da Brizola & Japur Administradores Judiciais, o pedido encaminhado ao Poder Judiciário para permitir o arrendamento dos silos deve ser respondido até sexta-feira.

"O cenário é muito complicado. Sequer temos certeza do que existe realmente depositados nos armazéns, já que é provável que os números reais sejam diferentes dos contábeis", revela Brizola. Enquanto a aferição dos volumes realmente armazenados nos diferentes silos da Cotrijui no Estado está sendo feita com apoio da Emater, Brizola conta com apoio de outros advogados, administradores e contadores para ter uma real ideia de passivos e ativos da cooperativa. Ainda hoje, cerca de 20 dias após a operação do Ministério Público que afastou os antigos gestores do comando da Cotrijui, não é possível ter certeza da nada.

"Pouco a pouco vamos descobrindo os problemas. Em São Luiz Gonzaga, por exemplo, há o risco de ser suspenso o fornecimento de energia por falta de pagamentos, que também estão atrasados para os funcionários. Há quem ainda não tenha nem recebido o 13º salário", conta o advogado. Brizola diz que, no momento, não é possível sequer garantir por muito tempo a continuidade dos trabalhos rotineiros da cooperativa, que não tem capital de giro algum em caixa e vive sob ameaça de penhoras e confiscos.

E, no caminho do gestores e dentro do Judiciário, outras duas ações também estão em tramite. A principal delas se refere ao pedido de liquidação judicial da cooperativa, solicitada por um dos maiores credores da Cotrijui, a Chinatex. Outra ação teve início ontem, movida pelo grupo denominado Recuperação Cotrijui.

Segundo Edson Burmann, o grupo quer o afastamento do atual liquidante, a nomeação de um colegiado de produtores e cooperativados no comando e a indicação de um presidente liquidante que seja da região e mais próximo da história da cooperativa. Demanda semelhante, porém, foi negada recentemente pela Justiça. "Na sexta-feira, ganhamos o apoio de três deputados e seis vice-prefeitos de cidades da região para o nosso pedido", diz Burmann.

Fonte : Jornal do Comércio