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Agronegócios – Exportação de café deve ficar estável

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Conforme o Cecafé, os embarques totais do produto brasileiro continuarão a ser prejudicados pela menor oferta de conilon registrada nas últimas duas safras

Plantação em área de atuação da Exportadora de Café  Guaxupé (MG) Plantação em área de atuação da Exportadora de Café Guaxupé (MG)
Foto: Divulgação

São Paulo – A exportação de café brasileiro deve encerrar o ano de 2017 com resultado similar ao de 2016, informou ontem o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Nelson Carvalhaes.

"Esse ano será muito parecido com o ano passado e terá ainda os reflexos da menor produção de café conilon (robusta), afirmou o dirigente. A produção da variedade foi prejudicada pelo clima nos últimos dois anos. No ano passado, o Brasil exportou 34,2 milhões de sacas de café.Ele explicou que a estabilidade também deve ser resultado da expectativa de que a safra 2017/2018 seja "um pouco menor" em relação ao ciclo atual. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra deve atingir 45,6 milhões de sacas, recuo de 11,3% em relação ao ciclo anterior.

Conforme o Cecafé, de janeiro a junho de 2017, os embarques somaram 14,9 milhões de sacas, 8,4% menos na comparação com o mesmo período de 2016. A receita no primeiro semestre do ano foi de US$ 2,6 bilhões, incremento de 8,2%. "Nos meses de agosto e setembro, tradicionalmente, registramos aumento nas exportações, o que deve garantir um desempenho melhor nos próximos meses", projetou o executivo.

No mês de junho, o Brasil exportou 2 milhões de sacas de café, retração de 16,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O café robusta registrou no mês o pior desempenho desde os anos 1990, com 19 mil sacas exportadas, 77,2% a menos que em junho de 2016.

Em receita, os embarques alcançaram US$ 341,8 milhões, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O preço médio subiu 13,5% para 166,33 a saca

Ano safra

Na safra 2016/2017, que terminou em 30 de junho, o Brasil exportou 32,9 milhões de sacas de café, queda de 7,4% em relação a safra passada. "É efeito dos problemas climáticos que ocorreram nos anos de 2014 e 2015 e que resultaram em uma menor oferta de grãos do café conilon", ressaltou Carvalhaes.

A receita com os embarques no período atingiu US$ 5,6 bilhões, o equivalente a uma alta de 5% em relação ao ciclo passado. O preço médio pago pela saca de 60 quilos foi de US$ 171,48, alta de 13,4% em relação a safra 2015/2017.

Os Estados Unidos foram o principal destino do produto brasileiro exportado na safra 2016/2017 e adquiriram 6,4 milhões de sacas, queda de 11,57%. A Alemanha foi o segundo maior mercado do café nacional e também registrou queda nas importações. Foram 8,5 milhões de sacas, 7,3% a menos em relação ao ciclo anterior. " Eles substituíram o nosso produto por cafés de outra origem [por falta de produto brasileiro] mas, no ano que vem, nós recuperamos isso", garantiu presidente do Cecafé.

Estoques

Carvalhaes também observou que os números relativos aos estoques divulgados ontem pela Conab estão incorretos. Segundo a estatal, os estoques privados do grão em 31 de março – final da safra 2016 – somaram 9,8 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 27% em relação ao volume do final da safra de 2015.

Na opinião dele, se for somada a necessidade de 5,2 milhões de sacas para consumo interno de março a junho e a exportação dos últimos três meses, que foi de 7 milhões de sacas, seriam necessárias 12,2 milhões de sacas para atender ao mercado interno e externo. Considerando as quantidades em estoque conforme a estatal, estaria "faltando" 2,4 milhões de sacas de café. "Essa conta não fecha", afirmou.

Par ele é clara a necessidade de revisar a metodologia para apuração dos números. "Isso será importante para todo o setor", destacou.

Ele também defendeu investimentos na apuração dos dados do setor feita pela estatal. "A Conab tem condições e recursos para isso", ressaltou.

Marcela Caetano

Fonte : DCI