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AGRONEGÓCIOS – Conselho orienta redução de 10% na produção de leite

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Atividade de produtores e indústria está ficando inviável, diz Conseleite

Atividade de produtores e indústria está ficando inviável, diz Conseleite

JONATHAN HECKLER/ARQUIVO/JC

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) e as entidades por ele representadas deliberaram, em reunião ontem, na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), por emitir orientação aos produtores de redução de 10% na produção do Rio Grande do Sul. A decisão deve-se ao fato da falta de reação do mercado nacional, que opera a preços muito abaixo do razoável, inviabilizando a atividade de produtores e indústrias.

"É consenso que a situação está péssima para o setor, tanto para a indústria quanto para o produtor", pontuou o presidente do Conseleite, Alexandre Guerra. Presente no encontro, o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, concordou.

A decisão veio na mesma reunião em que o Conseleite anunciou projeção de queda no valor de referência para dezembro. Depois de registrar alta em novembro como reflexo da suspensão das importações de leite do Uruguai, o projetado para dezembro é de R$ 0,8369 – 3,83% abaixo do consolidado de novembro (R$ 0,8702).

Segundo Guerra, que também preside o Sindicato da Indústria de Laticínios (Sindilat), o resultado reflete o período de festas de fim de ano, quando o consumo de lácteos também enfrenta retração. Contudo, neste ano, a queda agrava-se devido à crise generalizada do setor e à decisão do governo de reabrir o mercado para os produtos uruguaios sem o sistema de cotas para leite em pó e queijos.

Segundo o professor Marco Antônio Montoya, da Universidade de Passo Fundo (UPF), a queda do valor de referência foi puxada pelo leite UHT (-6,51%) e em pó (-2,31%), os dois itens mais importantes na composição do mix das indústrias gaúchas.

No encontro, também foram aprovados novos parâmetros de cálculo para o valor de referência do leite. A atualização, que demandou dois anos de pesquisa por parte da Câmara Técnica do Conseleite (Camatec), se fez necessária em função de mudanças tecnológicas e revisão de custos de produção na indústria e nos tambos.

Segundo Montoya, o novo levantamento atualiza parâmetros de 2005 para base 2016 e traz mudança substancial de rendimento na indústria e na participação da matéria-prima (leite) em cada derivado produzido no Rio Grande do Sul. Representantes dos laticínios e dos produtores decidiram que os novos padrões entrarão em vigor em janeiro de 2018, colocando o valor de referência gaúcho mais alinhado com o dos estados de Santa Catarina e Paraná, que já implementaram os ajustes.

Fonte : Jornal do Comércio