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Agronegócios – Confiança volta e investimento em máquinas chega ao pequeno produtor

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As vendas do setor registraram alta de 16,2% em fevereiro sobre janeiro e 33,5% ante o mesmo o mês do ano passado, informou ontem a Anfavea. No primeiro bimestre houve avanço de 49,9%

Não-Me-Toque (RS) – Os fabricantes de máquinas agrícolas agora respiram aliviados com a retomada das vendas e produção do setor. Nem mesmo a agricultura familiar, conservadora e a menos capitalizada, ficou de fora do momento mais positivo.

No município de Derrubadas (RS), o produtor Maurício Schuster planta soja, milho e trigo em uma pequena propriedade de 170 hectares. Ele foi o primeiro comprador do principal lançamento da montadora multinacional Massey Ferguson, no primeiro dia da feira Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS): uma colheitadeira de 200 cavalos de potência que se enquadra no sistema de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo federal.

"O último investimento na fazenda foi há quatro anos. Estava na hora de investir novamente. Viemos para comprar apenas isso e melhorar em produtividade, aproveitamos os juros e a linha de crédito", conta Schuster ao DCI.

A região gaúcha de Não-Me-Toque é cercada por pequenos municípios em que as famílias tocam a produção. Beneficiados pelas condições climáticas, os agricultores conseguem média de produtividade até superior a muitos gigantes do Centro-Oeste, que ganham na escala. É comum encontrar rendimentos em torno de 55 sacas por hectare da soja no Mato Grosso, por exemplo, enquanto Schuster colhe uma média de 60 sacas por hectare da oleaginosa. No milho, o produtor espera bater 168 sacas por hectare.

A ideia de uma nova colheitadeira veio atrás do plano de ampliar as áreas de plantio, algo que não é frequente na região. Não porque não haja intensão, mas porque a maioria está satisfeita. As terras que serão adquiridas também na cidade de Derrubadas virão de um agricultor que está mudando de município. "Decidimos financiar R$ 385 mil [em máquinas] no Banco do Brasil. E sempre que aparecem áreas, vamos comprando", afirma.

O diretor de vendas da Massey, Rodrigo Junqueira, avalia que o setor começou 2017 com uma confiança bem mais alta no campo, somada à remuneração positiva nas commodities e colheita recorde. O otimismo passa por todos os portes de produtor, entretanto, o familiar é observado com mais atenção pela empresa.

"Trabalhamos de forma intensa para lançar aqui uma colheitadeira específica a este segmento. Trazer uma tecnologia que não existe. Focamos no conforto do operador porque muitas vezes quem vai operar é o nosso próprio cliente. Esperávamos explorar a aceitabilidade da máquina na feira e tivemos a surpresa de vendê-la logo no início do primeiro dia", comenta o executivo.

A empresa do Grupo AGCO já contava com um trator da linha leve, de 75 cavalos. Há alguns anos, foi a vez de chegar ao mercado com uma linha completa de colheitadeiras e a única que faltava foi apresentada durante a Expodireto.

Grandes pequeninos

O diretor de vendas da montadora Valtra, Paulo Beraldi, explica que a linha leve comporta veículos de até 80 cavalos e representa cerca de 50% do market share de tratores no País. A fatia está relacionado com a distribuição de terras nacionais, considerada a dimensão de cultivos como o café e o hortifrúti. Na verdade, mais de 70% de toda a produção brasileira de alimentos provém da agricultura familiar.

"Tivemos uma série de problemas na economia do Brasil, mas tivemos uma série de acertos. O MDA [Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, atual MDSA] foi fundamental para dar uma chance para que o agricultor pudesse crescer", pondera Beraldi, que também pertence a uma empresa do Grupo AGCO. Para o executivo, este é um campo que ainda pode ser muito melhorado e à medida que a economia nacional se recupere, ele será ampliado, visto que existem em torno de cinco milhões de propriedades neste segmento em todo o País.

Quando a crise se agravou, houve o desencadeamento de uma crise de confiança e "o pequeno agricultor é muito conservador", diz Beraldi, por isso recuou nos investimentos em maquinário assim como todo o restante do setor – mesmo que eles fossem necessários. "Não existe quem passou incólume", acrescenta.

Tomando os anos de 2013 e 2014 como base para os picos de aquisição de máquinas, o diretor comercial da New Holland Agriculture para o Brasil, Alexandre Blasi, conta que diversos contratos do Pronaf estão chegando ao final e as trocas precisam acontecer. Sendo assim, naturalmente haverá demanda para revitalização de frota entre os pequenos.

Balanço de vendas

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou ontem que as vendas de máquinas agrícolas subiram 16,2% em fevereiro ante janeiro e 33,5% sobre igual período do ano passado. No bimestre, o setor acumula alta de 49,9%.

Na mesma linha, a produção mensal subiu 53,8% e outros 52,5% na comparação anual, acumulando nos dois meses de 2017 ganhos de 62,9%. Foram 4.631 máquinas fabricadas em fevereiro e 7.642 unidades neste ano.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI