AGRONEGÓCIOS – Clima afeta produtividade e qualidade do trigo gaúcho

Resultados das colheitas do cereal estão muito abaixo do esperado

Resultados das colheitas do cereal estão muito abaixo do esperado

/VANESSA ALMEIDA DE MORAES/DIVULGAÇÃO/JC

Em três dos últimos quatro anos, a safra de trigo do Rio Grande do Sul foi castigada pelos problemas relacionados ao clima. Neste ano, depois de uma safra excepcional no período passado, mais uma vez, o início da colheita foi prejudicado pelas intempéries. O excesso de chuvas no período do plantio e a falta da mesma no tempo de formação das plantas estão sendo determinantes para a possibilidade de uma nova frustração.

Conforme o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro-RS), Paulo Pires, a colheita iniciada em regiões mais quentes, como Alto Uruguai e Grande Santa Rosa, por exemplo, já vem mostrando números abaixo da média. "Temos produtividades oscilando entre menos de 20 sacas por hectare e, no máximo, 35 sacas por hectare. A qualidade não é diferente, com PH 72 a 76. Com esse PH e esta aparência de cor, o produto não tem qualidade", observa.

Pires ressalta que há uma desuniformidade muito grande das lavouras de trigo, com qualidade e produtividade baixas. "É uma notícia que não precisávamos, mas já era esperada. Em relação à excepcional safra do ano passado, poderemos ter uma redução até maior do que a registrada anteriormente. Entendemos que talvez não consigamos atingir 1,5 milhão de toneladas, o que é muito ruim para o País", avalia o presidente da FecoAgro-RS.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater, divulgado nesta quinta-feira, as lavouras gaúchas apresentam baixo potencial produtivo e estão perdendo qualidade a cada dia devido à grande umidade, com algumas áreas produtoras acumulando chuvas de mais de 170 milímetros em três dias. As cargas retiradas das lavouras colhidas até o momento, ao redor dos 2% do total da área plantada neste ano, estão com a qualidade muito abaixo do esperado. Tal condição leva produtores a acionarem o Proagro, aumentando o número de solicitações de vistorias para o seguro.

Produtores de outras culturas, como canola e cevada, também estão acionando o Proagro, segundo a Emater, devido aos baixos resultados das colheitas. Em relação à canola, os rendimentos médios, ao redor de 700 quilos por hectare, resultam em insuficiência de produto para pagar os custeios. Já na cevada, estima-se, no momento, uma produtividade média de 2.500 quilos por hectare, de qualidade regular, contra os 3.100 quilos estimados inicialmente (queda de 19%). Se persistirem as condições climáticas desfavoráveis, o padrão de lavouras deverá piorar de maneira significativa, trazendo prejuízos econômicos aos plantadores.

Chuvas atrapalham plantio de grãos de verão no Estado

Segundo a Emater, na última semana, houve quase paralisação total nos trabalhos de plantio de arroz. As intensas e volumosas precipitações trouxeram inúmeros transtornos para os orizicultores, como inundação de quadros, rompimentos de taipas, além de deixarem estradas e caminhos praticamente intransitáveis.

Estima-se que o percentual plantado atinja somente 20% da área total destinada para o arroz nesta safra. No ano passado, o percentual era de 55% nesta mesma época.

A preocupação para o momento, além de recompor os estragos, é previsão de mais chuva até o fim do mês, com as principais regiões produtoras podendo acumular mais de 100 milímetros no período, o que fatalmente trará sérios prejuízos à cadeia orizícola.

Já no milho, o plantio está encerrado nas pequenas e médias propriedades rurais, faltando ainda áreas nas grandes propriedades, onde deverão ser concluídos os trabalhos nos próximos dias a fim de liberar as máquinas para o plantio da soja. As fortes chuvas ocorridas nos últimos dias causaram alguns problemas de erosão do solo e lixiviação de fertilizantes. Algumas poucas lavouras, plantadas recentemente e atingidas de maneira mais intensa pelas chuvas, deverão ser replantadas, causando atraso na programação planejada.

Face à situação, o percentual pouco avançou, atingindo, no momento, 60% do total estimado para este ano, contra os 56% registrados na semana anterior. Na safra passada, esse percentual atingia, nesta época, 65%.

Fonte : Jornal do Comércio