AGRONEGÓCIOS – Aurora celebra 85 anos com melhor lucro de sua história

Empresa de Bento Gonçalves investiu R$ 12 milhões no ano passado

Empresa de Bento Gonçalves investiu R$ 12 milhões no ano passado

Roberto Hunoff, de Caxias do Sul

Na festa em comemoração aos 85 anos da Cooperativa Vinícola Aurora, os associados tomaram conhecimento de duas conquistas fundamentais para a manutenção das estratégias de crescimento. O presidente do Conselho de Administração, Itacir Pozza, anunciou que, em março, a cooperativa liquida o passivo que fora renegociado, em 2000, com bancos credores, e que tinha prazo de amortização até dezembro de 2020. A renegociação deu-se em função da crise de 1996, que atingiu todo o setor vinícola, e a Aurora de forma especial.

Já o diretor-geral, Hermínio Ficagna, destacou que a Aurora teve, em 2015, o melhor resultado em toda a sua história: o lucro líquido somou R$ 59 milhões. Parte deste valor será pago em dividendos aos associados. A Vinícola Aurora reuniu mais de 3,5 mil convidados, na sexta-feira à noite, em Bento Gonçalves, para marcar a passagem de seus 85 anos, completados no dia 14 de fevereiro.

A cooperativa consolidou, em 2015, faturamento de R$ 425 milhões, crescimento de 28% sobre o ano anterior e acima da meta prevista de 10%. De acordo com Ficagna, o desempenho tem origem em pontos específicos. Destacou a mudança interna de gestão, com a criação de um grupo gestor, que se reúne mensalmente para analisar os resultados e projetar o período seguinte. Também citou a política de melhoria dos produtos, que sensibiliza o associado a qualificar a matéria-prima, além de agregar uvas de terceiros. Vinhos de mesa e sucos naturais estão no topo da lista de prioridades. "Mas também trabalhamos melhorias nos demais itens, como o espumante", acrescentou o diretor.

Para dar forma a este projeto, a cooperativa investiu, no ano passado, perto de R$ 12 milhões, dos quais R$ 9 milhões em tanques para estocagem e equipamentos de precisão. Ficagna afirma que já nesta safra a empresa se beneficiará destes investimentos.

A estratégia também deverá garantir que, mesmo com a queda geral de 65% na produção de uvas, a cooperativa repita, neste ano, o desempenho de 2015. O diretor explica que, em razão das videiras dos seus 1,1 mil associados se espalharem por 11 municípios, a Aurora terá recuo de 50%, menor que a média do setor, nos volumes recebidos e processados, que totalizaram 65 mil toneladas e resultaram em 52,6 milhões de litros de vinhos e derivados na safra passada. "Com a nova produção e os volumes em estoque, conseguiremos atender ao mercado", salienta.

Já o faturamento deve ter expansão nominal em função do repasse de 12%, em fevereiro, aos preços dos produtos para cobrir altas de preços de insumos, matérias-primas e demais custos. Também contribuirá na manutenção dos números a expectativa de elevação das exportações. Ficagna projeta dobrar os volumes comercializados em 2015, que somaram 210 mil garrafas. O número ficou bem abaixo de 2014, que apresentou resultado atípico em função da Copa do Mundo. "Neste ano, apostamos nas Olímpiadas como fator de incremento das vendas externas."

A perspectiva de repetir os volumes vendidos contraria posição do setor, que trabalha com recuo de 10%. O fato, segundo Ficagna, deve-se ao atual cenário econômico, em que o consumidor está cauteloso.

ROALI MAJOLA/DIVULGAÇÃO/JC

 

Portfólio possui mais de 200 itens

Maior vinícola do País, Aurora participa com 12% do mercado nacional de vinhos

Maior vinícola do País, Aurora participa com 12% do mercado nacional de vinhos

Fundada em 14 de fevereiro de 1931 por 16 famílias de produtores, a maior vinícola do País participa com 12% do mercado nacional de vinhos. Tem três unidades em Bento Gonçalves, duas no Centro e uma no Vale dos Vinhedos, além de uma área de 24 hectares de parreirais no município de Pinto Bandeira. Seu quadro funcional tem 450 pessoas.

As 1.100 famílias associadas produzem uma média anual de 65 mil toneladas de uvas para a elaboração de mais de 200 itens de seu portfólio. Elas estão localizadas nas zonas rurais de Bento Gonçalves e Pinto Bandeira e de mais nove municípios da região. São 3,5 mil hectares de cultivo das principais variedades viníferas e de mesa. Os técnicos e agrônomos da vinícola acompanham todas as etapas do cultivo dos associados, durante todo o ano, dando apoio necessário para garantir boa produtividade e qualidade da matéria-prima.

Presente em todos os estados do Brasil, a Vinícola Aurora possui produtos para todos os perfis de consumidores: vinhos finos e de mesa, espumantes, suco de uva integral, frisantes e coolers. A vinícola é líder no mercado brasileiro em suco de uva integral, vinhos finos e coolers, e exporta para mais de 20 países. Tem mais de 500 premiações nos concursos internacionais oficiais de vinhos, mantendo-se como a líder absoluta no ranking das vinícolas brasileiras mais premiadas no exterior.

Livro resgata os principais momentos da instituição

Na festa em comemoração aos 85 anos da Vinícola Aurora, foi lançado livro que conta esta trajetória. O nome da publicação, escrita pelo associado Remy Valduga, "Orgulho do passado. Prontos para o futuro", também será usado como slogan para os próximos anos da vinícola. A obra conta a saga da Aurora desde a sua fundação.

No livro, Valduga retrata um dos momentos mais críticos da vinícola, que terá solução em março, com o pagamento de dívida contraída com os bancos. "Transcorria o ano de 1995, quando 1.600 famílias dormiam em berço esplêndido, com direito a sonhar, quando se descobre que a Cooperativa devia nada menos do que R$ 127 milhões." O valor representava três anos de faturamento bruto, que, em 1995, alcançara R$ 43 milhões.

Em seu discurso, o diretor-geral Hermínio Ficagna afirmou que ficará para trás o espectro da grande crise de 1995. "Naquele tempo, não havia horizonte ou cenários a seguir. Não houve milagre. Só trabalho e determinação", assinalou.

No período de 1931 a 1951, o vinho que a Aurora elaborava era comercializado a granel, embalado em barris de madeira de 100 litros. Na segunda metade da década de 1950, a cooperativa entrou de vez no mercado do vinho engarrafado, criando as marcas Meio-dia, Brazão e Mosteiro. Também comprou marcas já consagradas, como Sangue de Boi, Johanesberg e Bernard Tailam.

FERNANDO ZANCHETTI/DIVULGAÇÃO/JC

Fonte : Jornal do Comércio