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Agronegócios – AGCO aposta em melhora do mercado interno neste ano

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Fabricante de máquinas espera vender 40 colhedoras de cana-de-açúcar, em mercado que deve comercializar 700 unidades. Economia fraca é entrave

A multinacional calcula que o mercado brasileiro deste ano será de cerca de 700 colheitadeiras A multinacional calcula que o mercado brasileiro deste ano será de cerca de 700 colheitadeiras
Foto: Divulgação

Ribeirão Preto – Mesmo com produtores menos capitalizados, a elevação do dólar frente ao real e redução do financiamento governamental para o mercado de máquinas, a AGCO, multinacional mundial fabricante de equipamentos agrícolas, aposta no mercado interno para crescer.

Construído em 2012, o centro de distribuição de Ribeirão Preto já recebeu investimentos totais de R$ 100 milhões, após a aquisição da Valtra e junção a Massey Ferguson naquela unidade. Além de Ribeirão, a empresa possui outros seis centros de produção no Brasil (Canoas, Marau, Santa Rosa e Ibirubá, no Rio Grande do Sul; e Jundiaí e Mogi das Cruzes, ambas no interior paulista) e na Argentina (na cidade de General Rodriguez).

Na estimativa da empresa, o mercado de colheitadeiras de cana-de-açúcar deverá ser de 700 máquinas neste ano. Assim, a AGCO espera comercializar 40 máquinas deste tipo. Segundo o gerente de marketing de equipamentos de cana-de-açúcar AGCO, Marco Antônio Gobesso, os investimentos no Brasil são uma estratégia a longo prazo.

"Nós não queremos crescer a nossa participação em 2016. Queremos ganhar share [divisão] de mercado nos próximos cinco anos" disse Gobesso ontem, em coletiva de imprensa.

"Por isso, os investimentos na fábrica [de Ribeirão Preto], os investimentos em produtos, porque a nossa estratégia é aumentar a nossa participação nessa indústria", continuou.

Apesar de investir fortemente no comércio brasileiro de máquinas, a fabricante de equipamentos agrícolas reconhece que o cenário é adverso por conta da retração nacional do Produto Interno Bruto (PIB). "Mesmo no contexto atual da indústria sucroalcooleira, queremos participar deste mercado", relatou o gerente de marketing.

Mercado Externo

De acordo com o gerente de marketing da gigante de máquinas agrícolas, o câmbio – com destaque para a disparada do dólar – é um aspecto importante para o encarecimento dos equipamentos. "Nós repassamos sim o reajuste da moeda americana nas peças importadas. Isso certamente deixa os produtos com preço elevado ", admite.

Em Ribeirão Preto, há capacidade para duas mil peças. Metade disso, no entanto, é importada da Ásia. Para a AGCO, aquele continente é um grande mercado em potencial. A colhedora de cana-de-açúcar já está em fase de testes em países como Índia, Tailândia e China. "A nossa iniciativa na Ásia tem muito a ver com a necessidade de conhecer o mercado. Eu não posso mandar uma máquina para a China ou Tailândia sem saber como vai ser a reação do nosso produto naquele ambiente", pontuou Gobesso, sobre a exportação da colhedora de cana.

A empresa prevê um cenário mais positivo para 2017, caso o crescimento econômico seja reestabelecido. "Não tem crescimento [de vendas]. Se tiver crescimento, o mercado pode vender 1.000 máquinas em 2017", disse o porta-voz.

O diretor acredita que há um grande potencial nos próximos anos para a venda de colhedora de cana-de-açúcar, já que parte da atual frota deve ser renovada pelos produtores – movimento que deve ser de ascensão nos próximos meses.

Segundo Gobesso, isso ocorre porque a colhedora de cana dura, em média, seis anos com boa produtividade, ante os 10 anos de equipamentos utilizados em grãos, como soja e milho. No caso dos grãos os equipamentos trabalham cerca de 300 horas por safra, contra as três mil horas da colhedora de cana. Além disso, ele entende que os produtores já optaram por postergar a compra de máquinas novas, aderindo a manutenção em anos anteriores.

Parte da estratégia da AGCO para ampliar sua carteira de clientes é o atendimento. A empresa desenvolveu o "AGCOMMAND", plataforma on-line que verifica o desempenho dos equipamentos em tempo real. É possível observar problemas como o vazamento de óleo, superaquecimento e se o operador faz o uso de forma correta, mesmo sem o proprietário daquela fazenda estar conectado. / Ó repórter viajou a convite da AGCO

Fernando Barbosa

Fonte : DCI