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AGRONEGÓCIO – Produção de olivas ganha espaço no Rio Grande do Sul

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Colheita de oliveiras vai até o fim de março com estimativa de 450 toneladas no Estado

Colheita de oliveiras vai até o fim de março com estimativa de 450 toneladas no Estado

A colheita das oliveiras cultivadas no Rio Grande do Sul está acelerada. Dos 2 mil hectares de cultivos feitos em áreas de 160 produtores, 30% estão em condições de retirada da fruta, que depois será processada para extração do azeite de oliva. A expectativa é de geração de 450 toneladas, que devem resultar em 45 mil litros de azeite, aponta a Câmara Setorial da Olivicultura, que avalia a expansão da cultura em 400 hectares por ano.

Ontem foi dada a largada oficial da colheita em uma das propriedades da Tecno Planta, em São Sepé, na Região Central do Estado, que levou o governador José Ivo Sartori à propriedade, uma das sedes da empresa que é dona da marca Prosperato. É o sexto ano de colheita oficial. A chamada Metade Sul concentra a maior parte dos cultivos. O sócio da Tecno Planta Rafael Marchetti informa que a empresa tem 280 hectares próprios, localizados em São Sepé e Caçapava do Sul, Região Central; em Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul, na Costa Doce; e outros 570 hectares de terceiros e áreas de clientes, que entregam a fruta e pagam pelo processamento.

A colheita começou na segunda quinzena de fevereiro e deve se encerrar antes do fim de março. São normalmente 30 a 40 dias da retirada, dependendo de fatores climáticos, que tornam a temporada mais curta ou mais longa. Outro diferencial é o processo manual de colheita. Cada trabalhador retira, em média, 70 quilos por dia. Em 2017, 80 pessoas atuam nos olivais. A Tecno Planta tem hoje o maior olival em extensão do Brasil, com a maioria das árvores ainda jovens. "O desafio neste ano foi realizar nossa colheita de forma simultânea em São Sepé, Caçapava e Barra do Ribeiro", diferencia o sócio da empresa, que também atua em produção de mudas para eucalipto.

Segundo Marchetti, a colheita deste ano é considerada de excelente qualidade. "Notamos uma melhoria contínua a cada nova safra, baseada num acúmulo de novas experiências e busca de novas tecnologias para aplicar desde o campo até à extração", destaca. Em 2017, a Tecno Planta espera colher 110 toneladas de azeitonas nos olivais próprios e receber outras 40 toneladas de terceiros. A expectativa da empresa é produzir 15 mil litros de azeite, com o volume de azeitonas dos campos próprios e de terceiros. Com isso, um terço do volume gaúcho será gerado pela empresa.

O empresário de um segmento emergente na cena do agronegócio gaúcho e brasileiro aponta que a Tecno Planta tem a vantagem de atuar em todos os momentos da cadeia produtiva, do fornecimento de mudas ao plantio, assistência técnica até a extração e venda do azeite. "Conseguimos diluir custos de investimento para buscar inovações e melhorias." O rendimento por hectare ainda é baixo, pois as árvores são jovens. Atualmente, é de uma a duas toneladas por hectare. Cerca de 100 hectares já estão em produção. "Quando as árvores tiverem de sete a 10 anos, a produtividade subirá para seis a oito toneladas por hectare", projeta o produtor.

Ao mesmo tempo em que ocorre a colheita, já finalizada pelo Tecno Planta em Caçapava do Sul, a elaboração do azeite já começou, mesmo que aos poucos. "Tem de descansar uns dias e depois filtrar. Esperamos termina toda a safra pra homogeneizar o lote", explica o sócio, que também se envolve na lida da extração. O resultado do processamento depende da variedade e índice de maturação da fruta. Marchetti diz que a colheita é mais precoce, rebaixando o rendimento, mas "a qualidade é infinitamente superior". O rendimento fica entre 10% e 15%. São necessários sete a 10 quilos de frutas para obter um litro de azeite.

No viveiro e campo, a Tecno Planta tem mais de 30 variedades, que são observadas e acompanhadas na adaptação e produção. Marchetti indica que as que mais se adaptam são Arbequina, Manzanillaha e Picual (Espanha), Koroneiki (Grécia) e Frantoio (Itália). O produtor também explica que a qualidade de um azeite extra virgem depende do frescor, frutado verde, amargo e picante.

"O melhor azeite do mundo é aquele que foi produzido mais próximo do mercado. O que valoriza o que se faz aqui, pois chega mais rápido à mesa do consumidor", diz Marchetti. A dica serve para desmistificar que o melhor azeite é o que vem, por exemplo, da produção europeia.

TECNO PLANTA/DIVULGAÇÃO/JC

Patrícia Comunello

Fonte : Jornal do Comércio