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Agro brasileiro está com a faca e o queijo nas mãos

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Fonte: Globo Rural

É triste ver “ruralistas” e “ambientalistas” se estapeando no Congresso, no momento em que o agro brasileiro está com a faca e o queijo na mão para construir um grande modelo de agricultura sustentável e ainda servir de exemplo para o mundo.

Tudo parece estar conspirando a nosso favor. A FAO, que aliás será dirigida por um brasileiro em 2012, prevê pelo menos dez anos de preços agrícolas elevados, por conta do forte crescimento do consumo por proteínas animais e alimentos industrializados em países como a Índia e a China (o Brasil também). Resultado: a demanda por soja e milho, ração básica de frangos, suínos e bois, deve disparar.

Enquanto a demanda cresce, a oferta deve perder força, avisa o agrônomo Alexandre Mendonça de Barros, em artigo publicado na Globo Rural de agosto, que chega as bancas nos próximos dias.  Não há mais espaço para plantar na maioria dos países do mundo, exceto no Brasil, que vai enfrentar restrições ambientais cada vez mais rigorosas para abrir novas fronteiras.

As projeções da OCDE mostram que a produção agrícola mundial terá que crescer pelo menos 20% para dar conta do aumento e impedir a fome. Para o Brasil, a estimativa é de um crescimento de 40%.

Ou seja, a renda do agro está praticamente garantido nos próximos anos, o que abre uma oportunidade de ouro para o setor  investir parte do lucro em tecnologia, infra estrutura, logística e sustentabilidade.

Veja o exemplo do Oeste baiano, onde os grandes empresários do agro, esqueceram o governo e decidiram eles mesmos construir o aeroporto e algumas estradas. Seus colegas de Mato Grosso também fizeram isto durante a gestão de Blairo Maggi no governo do Estado.

Por que não investir também em sustentabilidade? Há 50 milhões de pastos degradados que podem ser recuperados e convertidos à produção agrícola, evitando o desmatamento para a abertura de novas áreas. Tecnologia não falta e há até uma linha de crédito, anunciada no pacote agrícola, que destina R$ 3 bilhões para projetos de plantio direto na palha, integração lavoura-pecuária, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de resíduos animais (biodigestores). Tudo a taxa de juros de apenas 5,5% ao ano.

Como propõe o ex-ministro Roberto Rodrigues, o Brasil pode liderar um projeto global de economia verde, mudando os paradigmas agrícolas. Mãos à obra!