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AGRICULTURA – Plano Safra: questão é se produtor acessará os R$ 190,25 bilhões com juros mais baixo, diz Farsul

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No ano passado, somente 63% dos recursos foram acessados pelos produtores

agricultura-colheita-milho-goias (Foto: Marcos Camargo)

Para o seguro rural, foram disponibilizados R$ 550 milhões (Foto: Marcos Camargo)

Após anúncio do governo federal do montante de R$ 190,25 bilhões para o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Silveira Pereira, alertou que o setor deve observar neste ano se os recursos de fato chegarão aos produtores. "A grande questão é se o produtor conseguirá acessar os R$ 190,25 bilhões com juros mais baixos. No ano passado, o governo prometeu um valor substancial e somente 63% dos recursos foram acessados pelos produtores, porque houve uma diminuição dos recursos provenientes de depósitos à vista e da poupança", declarou Pereira, referindo-se ao fato de a fonte do montante disponibilizado pelo governo como crédito rural serem os depósitos à vista e da poupança.

Na falta de recursos, prosseguiu, os bancos acabaram disponibilizando dinheiro com juros mais altos, levando os produtores a buscar crédito junto a tradings e outros agentes do mercado. "Os próprios bancos tiveram menos recursos", afirmou ele. Pereira comentou que, para o Plano Safra 2017/2018, já não há possibilidade de mudar o porcentual dos depósitos à vista e de poupança destinados ao crédito rural, hoje em 34%, mas que a questão poderá entrar nas discussões do próximo plano. "Esse (plano) já está dado. O que o governo poderia fazer (no próximo plano) é aumentar o porcentual dos depósitos para uma faixa de 40% a 50%", disse.

Nesta quarta, o governo federal anunciou que o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 terá R$ 190,25 bilhões em crédito rural. O valor é 2,84% maior do que os R$ 185 bilhões liberados na safra 2016/2017 pelo presidente Michel Temer, mas menor que os R$ 202,8 bilhões anunciados em maio do ano passado, pela ex-presidente Dilma Rousseff, ainda no fim de seu mandato. O Plano 2017/2018 prevê R$ 150,25 bilhões para operações de custeio e comercialização, com R$ 116,25 bilhões com juros controlados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 34 bilhões com juros livres. Recursos para investimento saíram de R$ 34,05 bilhões para R$ 38,15 bilhões.

O custeio tem limite de R$ 1,5 milhão para o médio produtor e R$ 3 milhões para grandes produtores. O prazo de pagamento caiu de 24 para 14 meses para os produtores de grãos. Os juros de custeio caíram de 8,5% e 9,5% ao ano para 7,5% e 8,5% ao ano.O vice-presidente da Farsul também criticou a redução das taxas de juros, de 1 ponto porcentual. "Os juros, especialmente de custeio e comercialização, caíram muito pouco. Entre 6% e 7% seria uma taxa de juros razoável, em função da inflação baixa, de 4%", disse.

POR ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte : Globo Rural