AGRICULTURA – Monsanto aposta na agricultura digital para elevar a produtividade de grãos

Multinacional desenvolve softwares que passam recomendações técnicas para agricultores

agricultura_de_precisao_gps_tecnologia (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

Aplicativos podem dar aos produtores informações digitais por talhão (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

A multinacional Monsanto anunciou nesta quinta-feira (10/12), em São Paulo, que vai começar apostar na agricultura digital para alavancar a produtividade de suas sementes e lavouras brasileiras. A companhia já havia adquirido a empresa americana Climate Corporations há 3 anos (investimento de US$ 930 milhões) e agora quer aproximar o produtor rural brasileiro das tecnologias.

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Rodrigo Santos, CEO da Monsanto para o Brasil e America do Sul, diz que nos Estados Unidos, cerca de 30 milhões de hectares já são cultivados com recomendações oferecidas por softwares eaplicativos (apps). "Gerando informações com precisão sobre o clima, performance de germoplasma por talhões, características de solo, é possível recomendar tecnicamente melhor para o agricultor", diz.

Segundo Geraldo Berger, diretor de regulamentação da Monsanto, programas como este, disponíveis para os sistemas IOS e Android, unem o que até então era disponibilizado em plataformas separadas. "Os aplicativos podem dar aos produtores informações digitais detalhadas por talhão: solo, comportamento das sementes, clima, microclima, fertilidade, entre outros. Esses dados são cruzados entre si e apontam as necessidades de cada área da propriedade", explica. " É possível fazer tudo isso no celular ou no tablet".

Santos diz que o país ainda precisa melhorar muito seus sistemas de monitoramento e geração de dados digitais, mas a companhia está conversando com muitas empresas de tecnologia da informação que poderiam também  entrar no segmento do agronegócio, entre elas, a Intel, Microsoft e IBM. "As parcerias seladas ao longos dos últimos anos (com empresas que produzem equipamentos e máquinas embarcadas com agricultura de precisão) estão ajudando bastante na geração de dados por área, quando os agricultores permitem que tais informações sejam compartilhadas".

Hoje, a Monsanto está testando a tecnologia em varias regiões (em oito Estados), com uso dessas informações, oferecidas pelos próprios produtores rurais. "Juntando as informações, é possível agir de forma antecipada na lavouras, evitar grandes perdas, lembrando que cada região brasileira tem características muito distintas", afirma Santos.

No ano fiscal que terminou em setembro de 2015, Santos disse que a Monsanto faturou US$ 1,7 bilhão. Os números para 2016, investimentos e faturamento, segundo a companhia, só serão divulgados em meados de fevereiro do ano que vem. " Mas vamos continuar investido no País no mesmo ritmo, o Brasil tem uma importância muito grande para a companhia". Esses investimentos serão feitos, sobretudo, na área de pesquisa e inovação de sementes e tecnologia em regiões comoPetrolina (PE), Campo Verde (MT) e Porto Nacional (TO).

Em toda a América do Sul, a Monsanto possui cerca de 12 milhões de hectares cultivados com asemente de soja da variedade intacta. No Brasil, são 90 mil produtores rurais.

Em relação aos rumores de incorporações de outras empresas do setor pela Monsanto, Santos diz que pode ser que novas parceiras possam ser anunciadas, mas não ha ainda nada de concreto. "A agricultura do futuro esta começando no Brasil. Nunca olhamos em curto prazo e ajustes, em decorrência da economia e política, fazem parte do dia a dia. No agronegócio, porem, é preciso olhar no mínimo, cinco anos lá na frente".

POR VIVIANE TAGUCHI, DE SÃO PAULO (SP)

Fonte : Globo Rural