AGRICULTURA – Entidade defende espécies nativas no reflorestamento de áreas degradadas

Estudo elaborado pela WRI Brasil mostra que utilizar culturas originais do bioma pode trazer rentabilidade ao produtor, que cada vez mais precisa recuperar o solo para atender à legislação

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MARCELA CAETANO

Investir em reflorestamento com espécies nativas pode ser mais rentável que apostar em culturas convencionais, embora leve mais tempo para trazer retorno financeiro.

É o que revela levantamento do Projeto Verena – Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas, liderado pelo WRI (World Resourses Institute) Brasil. Ao longo de dois anos, foram analisados 12 cases de propriedades rurais nos biomas da Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. A exploração comercial de pelo menos 30 tipos de árvores nativas em diferentes sistemas de produção foi comparada com resultados de nove culturas tradicionais, como banana, café, cacau e pupunha.

Ao comparar o desempenho econômico das propriedades, o estudo chegou à conclusão de que o retorno financeiro do reflorestamento com espécies nativas é mais demorado: leva em torno de 16 anos, contra 12 anos na agricultura e silvicultura. “Por outro lado, o reflorestamento tem um retorno financeiro de 16% – considerando o uso de espécies nativas e os sistemas agroflorestais (SAF) – enquanto a média da agricultura é de 12%, quando consorciada com pinus e eucalipto”, afirma o analista de investimento do WRI no País, Alan Batista.

“Nosso objetivo era responder à questão: é viável economicamente apostar no reflorestamento?”.

Ele explica que a falta de informações inibe o investimento em reflorestamento. O Brasil precisa restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 para atender à meta estabelecida pelo Acordo Climático de Paris. “A gente entende que a atividade só vai alcançar a escala que é necessária se for bom financeiramente para o produtor”, avalia.

Segundo Batista, nos últimos 50 anos, 7,8 milhões de hectares foram reflorestados com árvores exóticas. “Não temos esse dado em relação às nativas, mas sabemos que o Paricá está entre as mais utilizadas no Brasil, no Estado do Pará.” Ele destaca que o investimento necessário para a agricultura gira em torno de R$ 30 mil por hectare, enquanto uma área de SAF custa R$ 45 mil por hectare. Ele reconhece que a segunda opção é mais cara, mas pondera que, além de trazer mais retorno, dilui os riscos entre as diferentes culturas. “Inicialmente, esse tipo de investimento é mais viável para quem tem capital, mas quando mostramos que é economicamente viável podemos fazer com que mais pessoas se interessem”, esclarece.

Ferramenta

Para chegar a este resultado, a equipe da pesquisa esteve nos estados do Pará, Bahia, São Paulo e Minas Gerais, onde coletou custos das diferentes atividades. No caso das florestais, foram contemplados os sistemas agroflorestais – que compreendem ao cultivo de árvores e de outras culturas no mesmo espaço –, o reflorestamento nativo biodiverso, a monocultura de espécies nativas e a combinação entre espécies nativas e exóticas.

Os resultados foram processados por meio da Ferramenta de Investimento Verena, que está disponível para que outros interessados possam calcular a viabilidade econômica de projetos de florestamento.

Para acessar a ferramenta, Batista afirma que basta o produtor entrar no site do WRI Brasil e fazer o download. “Quanto mais informação ele tiver, menos riscos ele corre ao investir nesse tipo de projeto”, defende o especialista.

Fonte : DCI