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Agricultura desperta interesse.

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O clima semelhante, o investimento em pesquisa e tecnologia para a agropecuária e a experiência no estímulo à AGRICULTURA FAMILIAR estão aproximando o estado de Pernambuco e o Paquistão – país do centro-sul da Ásia, que faz fronteira com a China, a Índia, o Afeganistão e o Irã. Uma comitiva formada por sete pessoas está no estado para conhecer experiências bem-sucedidas na produção de etanol, algodão e banco de plantas melhoradas geneticamente (germoplasma). Da visita devem surgir acordos bilaterais entre o Brasil e o Paquistão.

"Técnicos do IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) fizeram uma primeira visita ao Paquistão em outubro do ano passado, através de articulação do Itamaraty, com vista em dois eixos: a agropecuária e os recursos hídricos. Agora eles devolvem a visita e esperamos que possam surgir parcerias. Estamos apresentando a eles alguns exemplos do que desenvolvemos aqui em extensão rural, na assistência aAGRICULTURA FAMILIAR", explica o presidente do IPA, Júlio Zoé.

Com uma população de 180 milhões de habitantes, 60% morando em áreas rurais e a maior parte vivendo da AGRICULTURA FAMILIAR, o Paquistão vem em busca de técnicas para aumentar a produtividade (considerada baixa) e também de tecnologias para o melhor aproveitamento da água.

Segundo o porta-voz da comitiva paquistanesa, Kamal Majidulla, assistente especial do Ministério de Recursos Hídricos e Agricultura do Paquistão, a posição do Brasil de liderança na América Latina e a relação amistosa com os países vizinhos fazem com que o país saia na frente em relação a possíveis parcerias.

"Nem a China nem a Índia têm a tecnologia de produção da cana-de-açúcar que o Brasil tem, com uma cadeia produtiva com várias ramificações. Além disso, nossos vizinhos não são tão amistosos e dispostos a compartilhar conhecimento como o Brasil", disse Majidulla, numa referência indireta às difíceis relações políticas e comerciais na região.

Kamal Majidulla acredita que o IPA pode ajudar principalmente nas estratégias de transferência de tecnologia para os pequenos agricultores familiares – responsáveis pela maior parte da produção agrícola do Paquistão. Informado sobre a existência do Vale do São Francisco, no Sertão, ele ficou interessado nas técnicas de irrigação.

"Produzimos manga e o Afeganistão produz uva. Parte da água que usamos no Paquistão vem do Afeganistão. Somos parceiros econômicos e todo o conhecimento para melhor gerir os recursos hídricos nos interessa", afirmou. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Brasil exportou para o Paquistão em 2011 o equivalente a US$ 177,1 milhões e importou US$ 79,7 milhões. Segundo Majidulla, o principal produto exportado pelos paquistaneses para o Brasil é o carvão. Mas o potencial de trocas comerciais poderia ser até seis vezes maior.

Fonte: DIÁRIO DE PERNAMBUCO – PE