.........

Agricultura de precisão reduz as perdas na aplicação de defensivos

.........

Divulgação

Fernando Gonçalves Neto, da Jacto: instalação de "wi-fi" na fazenda permite a transmissão on-line dos dados

O desafio de alimentar uma população mundial que deve chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050 não é pequeno. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção precisa crescer 60% para atender a esta demanda. Até agora, os avanços vieram de mecanização, genética e química. Mas o campo está se transformando com as tecnologias digitais que prometem uma revolução. Na chamada agricultura de precisão, as novas ferramentas incluem telemetria, big data e veículos autônomos.

"Estamos no meio de um processo de mudança de paradigma, com ganhos na produtividade e na qualidade dos alimentos por meio da otimização dos recursos já disponíveis", comenta Silvio Crestana, pesquisador da Embrapa Instrumentação, que tem desde 2013 um Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre). No local, são desenvolvidos equipamentos, sensores, componentes mecânicos e eletrônica embarcada. Há também um sistema computacional de geoinformática para tratar os dados massivos gerados em campo. "Temos sensores que indicam qualidade do solo, umidade, quantidade de fertilizantes necessários ou de defensivos, onde e quando. "

É a chamada internet das coisas a favor da agricultura, com equipamentos altamente equipados para fazer a leitura correta da propriedade. Um dos projetos da Embrapa, em parceria com a Qualcomm, fabricante de chips para celulares, desenvolve o uso de drones. O equipamento sobrevoa a propriedade, colhe imagens e envia para um servidor que processa o material gerando informações sobre necessidade de irrigação, controle de pragas etc.

Em outro projeto, o robô intitulado de Agribot se desloca sozinho por uma plantação portando equipamentos de diagnóstico de plantas e solos. O que retarda o desenvolvimento destas tecnologias no Brasil, diz o especialista, é a falta de conectividade no campo. "Hoje, as informações são armazenadas, passam para um pendrive e depois chega ao laboratório. O ideal é monitoramento on-line, com informações rapidamente analisadas e ordem de manejo em tempo real. "

A Jacto, parceira da Embrapa no projeto, busca em paralelo formas de melhorar a conectividade. "Estamos implantando redes locais em algumas fazendas para fazer a telemetria", explica Fernando Gonçalves Neto, presidente da companhia, que tem uma marca específica para a agricultura de precisão, a Otmis. A empresa instala módulos nas torres de radiofrequência já existentes, como se fosse um wi-fi na fazenda, permitindo a transmissão on-line dos dados.

Os equipamentos da Jacto, como pulverizadores e colheitadeiras, possuem o sistema Otmis Maps Telemetria, que permite certificar se a aplicação de agroquímicos foi realizada conforme o programado, no volume desejado e também checando se as condições climáticas estavam adequadas. "As perdas com defensivos agrícolas caem de 15%, na média, para no máximo 2%", comenta.

Outra fabricante de equipamentos agrícola, a John Deere, montou no Brasil uma área específica para agricultura de precisão, dentro do Centro Latino-Americano de Inovação Tecnológica (Latic). "Buscamos soluções específicas para a agricultura tropical que tem características de solo, clima e culturas únicas", comenta o diretor do centro Alex Foessel.

Na Agco, dona da marca Massey Fergusson, a aposta responde pelo nome de "Fuse Technologies", que promete facilitar o acesso para o agricultor aos seus dados do campo.

Por Jiane Carvalho | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor