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Agricultores gaúchos reivindicam PAC Rural

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Representantes dos pequenos produtores acham viável novo programa de fomento para manter os jovens no campo

Mayara Bacelar

JONATHAN HECKLER/JC

Tema foi debatido no Conselhão com a presença do ministro Pepe Vargas, do governador e produtores

Tema foi debatido no Conselhão com a presença do ministro Pepe Vargas, do governador e produtores

Os agricultores gaúchos, principalmente os familiares, querem um PAC Rural. Essa foi uma das proposições apresentadas ontem pela Câmara Temática Economias do Campo, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado (Cdes-RS), em reunião que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e do governador Tarso Genro. A viabilidade de um programa que se somaria ao Plano Safra (que neste ano vai destinar R$ 18 bilhões à agricultura brasileira, sendo cerca de R$ 3,3 bilhões para o Rio Grande do Sul) não foi calculada pelo ministro. Ao detalhar as políticas públicas federais para a agricultura familiar, Pepe admitiu a necessidade de mais atenção aos pequenos produtores, mas ponderou que muitas das solicitações já estão sendo atendidas por outras ações da União.

“Isso necessariamente implica um conjunto de investimentos dos vários entes da Federação”, afirma o ministro, lembrando uma série de iniciativas, como o PAC Equipamentos, que doa equipamentos a municípios com menos de 50 mil habitantes; o programa de habitação rural, em molde similar ao programa Minha Casa, Minha Vida e o Luz Para Todos, que já estão tentando atenuar algumas das principais demandas do campo. “Obviamente, isso não resolve todos os problemas”, admitiu Pepe.

O ministro ressaltou a importância das propriedades familiares no que se refere à produtividade. De acordo com ele, enquanto uma propriedade comercial tem um rendimento de aproximadamente R$ 700,00 por hectare, o mesmo indicador chega a R$ 1.779,00 por hectare na agricultura familiar. Com base nessas premissas, Pepe rememorou a ampliação do acesso ao crédito incluída no atual Plano Safra e aplicada a diversas categorias de financiamento rural, como o Pronaf.

Para Tarso, um PAC voltado à atividade rural converge com sua concepção de que a agricultura deve ser subsidiada pelo Poder Público. O líder do executivo gaúcho lembrou outras economias, como as dos EUA e França, onde essa é uma prática consolidada e bem-sucedida para fomentar a produção agrícola. “O campo tem que ser subsidiado, já que atua na produção de alimentos e cria divisas para o País, no que se refere às exportações”, afirmou o governador.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan, foi o primeiro a levantar a bandeira por um novo PAC que, segundo ele, poderia acelerar a criação de um modelo de desenvolvimento sustentável na agricultura familiar gaúcha, bem como fomentar áreas deficitárias, a exemplo de infraestrutura e energia elétrica. “Será preciso um novo PAC agrícola tendo maior foco no agricultor. Temos políticas e elas são necessárias, mas falta avançar em algumas áreas”, sinalizou.

O presidente da Fetag-RS, Elton Weber, fez coro a Pavan. Para ele, um novo programa de fomento aos agricultores é necessário, entre outras razões, para manter e atrair os jovens no campo. “Há dados que mostram que, em 78% das propriedades com agroindústrias, os jovens permanecem no campo e em 34% das propriedades onde foi instalada alguma agroindústrias, os jovens voltaram para trabalhar”, argumenta. A Fetag é uma das entidades que ajudou a formular o documento aberto Notas sobre os Desafios do Desenvolvimento Rural Gaúcho, onde o Cdes-RS traçou as diretrizes de uma nova política para a agricultura no Estado.

Transformado em Termo de Cooperação, o documento foi assinado pelo ministro Pepe Vargas, pela Fiergs, pela Ufrgs e pelo governo do Estado.

Qualidade da energia elétrica é prioridade

O acesso à energia elétrica de qualidade é apontado como o principal desafio a ser vencido. Em grande parte das propriedades, o serviço ainda não é forte o suficiente para a agroindustrialização ou mesmo para processos mais eficientes de irrigação. Para acelerar uma mudança de cenário com a implantação do sistema trifásico, a Secretaria da Infraestrutura já tem uma série de encontros marcados com as concessionárias que operam no Estado para cobrar celeridade nos investimentos do campo. A CEEE deve investir até 2014 R$ 200 milhões em melhorias nas áreas rurais. “No dia 13 de agosto, vamos reunir todas as propostas no Comitê Pró-Energia do Rio Grande do Sul. Esperamos que as concessionárias apresentem recursos significativos”, destacou o secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque.

Fonte: Jornal do Comércio