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Agco investe em empresa de armazenagem de grãos

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Fonte: Globo Rural

A multinacional, que fabrica máquinas Massey Fergusson e Valtra, compra a GSI Holding e vai ampliar fábricas no Brasil

por Viviane Taguchi

Divulgação/S2Publicom

Martin Richenhagen, presidente mundial da Agco: "Enxergamos o agronegócio brasileiro com otimismo"

O presidente mundial da Agco, fabricante de máquinas e equipamentos das marcas Massey Fergusson, Valtra, Challenger e Fendt, Martin Richenhagen, anunciou na manhã desta quarta-feira (05/10), em São Paulo, que a companhia vai investir R$ 100 milhões em três, das quatro unidades fabris que possui no Brasil. Richenhagen também oficilizou a aquisição da GSI Holding, multinacional que atua nos setores de armazenagem de grãos e sistemas de produção de proteínas, por US$ 940 milhões.
Os investimentos serão aplicados nas fábricas de Santa Rosa e Canoas, ambas no Rio Grande do Sul, e na unidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo. De acordo com Richenhagen, R$ 65 milhões serão aportados na fábrica decolheitadeiras de Santa Rosa, R$ 10 milhões na nova linha de pulverizadores em Canoas e os outros R$ 25 milhões na unidade produtora de motores e equipamentos em Mogi.
"Estes investimentos vão ampliar a capacidade de produção da companhia. Nós teremos um grande mercado para atender nos próximos anos", disse o executivo, ressaltando a posição estratégica que o Brasil vem ocupando no cenário econômico mundial, baseado no agronegócio.
Seguindo a mesma linha (de que a agricultura brasileira será a que mais crescerá no mundo na próxima década), Richenhagen explicou porque a companhia comprou a GSI Holding, empresa que foge totalmente do ramo de atuação da Agco. "Queremos ampliar nossa atuação no agronegócio e sabemos que a demanda por alimentos vai estimular a produção brasileira", afirmou. "O agronegócio brasileiro vai crescer, os volumes serão cada vez mais altos e tudo isso vai demandar investimentos, principalmente em silos para armazenagem".
André Carioba, vice-presidente sênior para América do Sul, explica que a compra da GSI Holding dá início ao processo de diversificação dos negócios Agco no continente e está diretamente ligado à demanda global por alimentos. "A fusão com a GSI ocorre em um momento de crescimento, que demanda muitos investimentos. Além disso, com a elevação econômica das população de países em desenvolvimento, o cresce também o consumo de proteínas animais, outro ramo de atuação importante da GSI", diz.
O processo de incorporação da GSI Holding, porém, só será finalizado em dezembro de 2011, após a aprovação dos órgãos competentes. No entanto, os executivos já prospectam um aumento de receita de 10% da companhia em 2012. Com a nova empresa, a Agco espera obter uma receita de US$ 1 bilhão no próximo ano.
Martin Richenhagen não descarta que a companhia possa, futuramente, investir em outros setores. Mas ele garante que este é um planejamento de longo prazo. Entre os segmentos citados, estariam na mira da companhia os equipamentos para irrigação e novos projetos de robôs para ordenha, por exemplo. "Mas por enquanto, a Agco vai investir em logística de grãos e produção de proteínas", afirmou.
Em 2011, a companhia lançou pulverizadores autopropelidos, tratores florestais, enfardadoras grandes, tratores compactos (de 2009 a 2011 foram vendidos 43 mil unidades para agricultores familiares, através do programa Mais Alimentos) e colheitadeiras. Em 2012, a companhia planeja iniciar a produção de uma nova colheitadora de cana. "Apesar do cenário positivo, a companhia perdeu espaço no mercado sulamericano em 2011, por conta do ritmo menor de vendas na Argentina e do próprio programa Mais Alimentos, que teve seu auge entre 2009 e 2010", diz Carioba. Ele estima que a redução foi de 10% na venda de tratores. Em contrapartida, o aumento nas vendas de colheitadeiras foi de 9%.