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ADM vende sua divisão de chocolate para a Cargill

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A americana Archer Daniels Midland (ADM), uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, informou ontem ter chegado a um acordo para vender seu negócio de chocolate para a também americana Cargill por US$ 440 milhões (valor sujeito a ajustes). A expectativa é que a transação seja concluída no primeiro semestre do ano que vem.

"A venda do negócio de chocolate ajudará a ADM a elevar a rentabilidade e nos permitirá reinvestir o capital em negócios de retorno mais alto", afirmou, em comunicado, a CEO da ADM, Patricia Woertz. Na negociação, estão incluídas três fábricas na América do Norte (duas nos Estados Unidos e uma no Canadá) e outras três na Europa (no Reino Unido, na Bélgica e na Alemanha). As unidades fabricam chocolate para fins industriais e food service.

Em abril, a ADM anunciou que estava à procura de compradores para a divisão – e, à época, a Cargill já era apontada como a principal interessada. Segundo a empresa vendedora, cerca de 700 trabalhadores serão transferidos para a Cargill. A ADM informou, ainda, que vai fechar uma unidade de processamento de cacau no Estado americano da Pensilvânia, o que provocará a demissão de cerca de 90 trabalhadores. Apesar disso, a companhia acrescentou que sua área de cacau continuará empregando 1,5 mil funcionários.

"Essa aquisição é um marco importante na estratégia de crescimento de chocolate da Cargill e nos ajudará a servir melhor nossos clientes na América do Norte e na Europa", disse Bryan Wurscher, presidente da divisão de cacau e chocolate da Cargill na América do Norte, também em comunicado.

O negócio levará a Cargill à vice-liderança mundial na produção de chocolate, conforme a agência Dow Jones Newswires. A múlti, que é uma das maiores tradings agrícolas do mundo, ficará atrás da Barry Callebaut, que vendeu 1,2 milhão de toneladas de chocolate em 2012, mais que o dobro que Cargill e ADM juntas.

O anúncio do negócio foi alvo de críticas de empresas de chocolate, que temem a concentração do segmento. "Não gosto de ver esse tipo de consolidação. Acho que muito poder e controle nas mãos de poucas pessoas é sempre ruim. Certamente, os preços vão subir logo", afirmou a CEO da Roni-Sue’s Chocolates, Rhonda Kavea, à Dow Jones Newswires. A empresa costuma comprar chocolate de concorrentes da Cargill.

O negócio ocorre em um momento de elevação dos preços do cacau no mercado internacional. Em agosto, as cotações da amêndoa atingiram o maior valor em mais de três anos na bolsa de Nova York e fecharam o mês com alta de 1,35% nos contratos futuros de segunda posição de entrega, segundo cálculos do Valor Data. Em 2014, a commodity registra expressiva valorização de 16,53%.

Na semana passada, entretanto, a Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês), revisou para cima sua previsão para a oferta mundial da commodity ao fim da atual safra e passou a prever um superávit, não mais um déficit. A expectativa da entidade é que a produção global de cacau supere a demanda em cerca de 40 mil toneladas na safra 2013/14, que se encerra em 30 de setembro – o que pode contribuir para arrefecer o movimento de alta das cotações.

As perspectivas para a demanda de chocolate, porém, permanecem otimistas. De acordo com a Dow Jones Newswires, a empresa de pesquisas Euromonitor projeta um aumento de 2,1% no consumo global de produto este ano, para 7,3 milhões de toneladas.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes e Camila Souza Ramos | De São Paulo