.........

Acesso a recursos é diferencial da Biosev

.........

Ainda com endividamento elevado e desempenho operacional em processo de evolução, a Biosev, segunda maior companhia sucroalcooleira do país, conseguiu manter seus ratings de crédito em "BB-". Na visão da agência Fitch, que faz a avaliação de rating dessa companhia, a Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, continua com acesso a financiamentos de médio e longo prazos.

Ao manter esse nível de rating – que indica que há possibilidade de o risco de crédito aumentar, devido a mudanças adversas na economia -, a Fitch, no entanto, atribuiu uma perspectiva negativa à classificação da companhia, dado o desafio da empresa de gerar fluxo de caixa livre positivo suficiente para melhorar seu perfil de crédito.

Em 30 de junho, primeiro trimestre do novo ciclo (2015/16), a empresa tinha disponível em caixa R$ 1,51 bilhão – somando-se o caixa e as aplicações financeiras. De dívidas bancárias a vencer no curto prazo, eram R$ 1,8 bilhão, mas a companhia ainda contava na mesma data com estoques de R$ 977 milhões para serem vendidos, o que mantinha uma condição de curto prazo menos apertada.

Em nota, a Biosev afirmou que "permanece firme na estratégia de maximização da utilização de seus ativos, visando ao aumento de eficiência e produtividade operacional e apoiada em sua disciplina financeira". A empresa destacou que na safra 14/15 apresentou um fluxo de caixa livre de R$ 16 milhões.

No fim do ano passado, quando a percepção de risco no segmento estava desfavorável e havia grande risco de rebaixamento das notas de crédito, a Biosev tinha R$ 190 milhões, entre caixa e aplicações financeiras, e R$ 1,75 bilhão a vencer no curto prazo, uma condição muito mais complexa, apesar do estoque de R$ 1,029 bilhão na mesma data.

No entanto, desde o fim do ano passado as condições de caixa da companhia e de alongamento de débito avançaram. Em janeiro, a Biosev fechou uma captação com oito bancos de US$ 318 milhões (cerca de R$ 860 milhões ao câmbio da época) e rolou débitos aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa.

Maior rating do segmento e com nota de crédito até acima do rating soberano do Brasil, a Raízen Energia, maior empresa sucroalcooleira do mundo, teve neste ano seus ratings de crédito reafirmados pela Standard & Poor’s (S&P) em "BBB" na escala global e "BrAAA" na escala nacional. Seus resultados estáveis, a despeito do encolhimento da economia, pesaram positivamente.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor