Abates recorde de frango e suínos

O preço elevado da carne bovina no varejo foi uma das principais causas para a redução de 10,8% nos abates de bovinos no país no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2014, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse contexto, os consumidores ampliaram a demanda por proteínas concorrentes – frango e suíno.

Além do consumo retraído por causa dos preços, o ciclo de baixa oferta de gado também afetou os abates de bovinos, que caíram entre julho e setembro ao menor patamar desde o primeiro trimestre de 2012. E a queda das exportações de carne bovina também contribuiu para limitar os abates, conforme Octávio Costa de Oliveira, gerente de pecuária do IBGE.

Com o preço da carne bovina em alta – o produto subiu 10,7% entre janeiro e novembro, segundo o IPCA – o consumidor passou a procurar mais as proteínas de aves e suínos. "Os custos do quilo da carne de suíno e de frango, apesar da inflação, estão em um patamar bem mais próximo do consumidor", avaliou Oliveira.

Com alta de 5,5% no terceiro trimestre na comparação com igual período do ano passado, o abate de suínos bateu recorde e somou 10,2 milhões de cabeças no período, 5,1% mais que no trimestre imediatamente anterior. A região Sul respondeu por 66,6% dos abates nacionais de suínos no intervalo.

O mercado externo também ajudou os criadores de suínos. No terceiro trimestre, a Rússia foi o principal destino das exportações brasileiras de carne suína. Na comparação com igual período de 2014, a exportação de carne suína in natura cresceu 34,2% entre julho e setembro. Ante o segundo trimestre deste ano, a alta foi de 21,3%.

O abate de frangos também foi recorde no terceiro trimestre. Entre julho e setembro, o IBGE registrou um aumento de 6,9%, na comparação com igual período do ano passado, para 1,5 bilhão de unidades. Em relação ao segundo trimestre, o crescimento foi de 7,1%.

A região Sul respondeu por 60,2% dos abates nacionais de frangos no terceiro trimestre de 2015, seguida por Sudeste (19,2%), Centro-Oeste (15,0%), Nordeste (3,8%) e Norte (1,8%). O faturamento em dólar das exportações caiu 5,1% em relação a igual período de 2014 – de R$ 1,88 bilhão para R$ 1,77 bilhão -, já que os preços internacionais em 2015 estão em patamares inferiores.

Segundo o levantamento, a produção de ovos de galinha registrou novo recorde no terceiro trimestre, com 749,96 milhões de dúzias – 4,1% mais que em igual período de 2014. De acordo com Oliveira, "a produção de ovos acompanha a de aves para abate. É uma proteína alternativa para a carne".

Por Robson Sales | Do Rio

Fonte : Valor