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Abates no frigorífico Três C serão retomados

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A empresa que já foi responsável por balizar os índices de emprego e de arrecadação do munícipio de Rio Pardo planeja nova expansão a partir da posse de um grupo de investidores do Rio de Janeiro. Em dois anos, o Frigorífico Três C deve passar por uma série de aportes, estimados em US$ 250 milhões, para retomar a industrialização própria, centralizar as operações e equalizar os passivos totais para voltar a abater cerca de mil cabeças de gado por dia nos próximos dois anos.
O novo diretor, Hélio Alves, ligado a uma consultoria que administra passivos e trabalha com a compra e a venda de créditos tributários, afirma que este foi o ponto de partida para o interesse em assumir o negócio no Rio Grande do Sul. Segundo ele, 80% dos problemas do Três C são de ordem tributária, enquanto 10% do passivo projetado em R$ 200 milhões se referem a dívidas com fornecedores e causas trabalhistas.
“Não nos pautamos somente pelas dívidas. Para levantar o frigorífico, temos de nos preocupar em preparar a empresa para o futuro e saldar as contas. Já temos alguns investidores em negociação e a nossa meta é abrir o capital da empresa em médio prazo”, explica Alves.
O executivo, que já administrou um frigorífico no Pará, assegura que a nova administração dispõe dos créditos necessários para equacionar os débitos tributário municipais, estaduais e federais. No entanto, o planejamento estratégico ainda prevê aportes de US$  100 milhões, que somados aos passivos devem chegar a US$ 250 milhões. O objetivo, explica Alves, é a criação de outras seis empresas destinadas ao aproveitamento de 100% das carcaças abatidas em Rio Pardo.
Segundo ele, unidades de beneficiamento de couro, processamento de subprodutos, criação de peixes e fábrica de embutidos, de ração animal e de materiais de limpeza, para aproveitar a gordura animal como matéria-prima para produção de detergentes e sabão, são algumas das metas traçadas para os próximos 24 meses. “Primeiro precisamos chegar a um denominador final para os passivos. Em seis meses, teremos o perfil completo. A partir deste momento queremos alocar os recursos para começar os investimentos”, revela.
Para o prefeito de Rio Pardo, Joni Lisboa da Rocha, a notícia vem em boa hora. O frigorífico, fundado em 1987, já empregou mais de mil funcionários no auge da produção. Atualmente, com apenas 100 trabalhadores e terceirizando os abates, a empresa não possui a mesma representatividade na arrecadação da cidade com cerca de 40 mil habitantes.
Rocha antecipa que o planejamento da nova administração prevê a criação de 600 empregos em menos de um ano e a abertura de outras 5 mil vagas com a volta da industrialização de produtos de marca própria. De acordo com os diretores, em quatro meses, deve ser retomada a industrialização de marcas próprias. “Para isso, será preciso reativar a logística nas duas pontas da cadeia para a compra e a venda, o que nos alegra muito, pois esta já foi a maior empresa de Rio Pardo e, atualmente, em razão das dívidas dispunha de pouquíssimo crédito para comprar e pagar fornecedores”, comemora o prefeito.

Preço força consumidor a trocar carne bovina por frango e suíno, informa IBGE

Os altos preços da carne bovina em 2011 fizeram o consumidor substituir o produto por outros tipos de proteínas, como frangos, suínos e ovos. Enquanto o abate de bovinos caiu 1,6% em relação a 2010, o abate de frangos subiu 5,6%, e o de suínos teve expansão de 7,2%, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“No ano passado, o preço da carne bovina estava muito alto. Isso fez os consumidores substituírem a carne por outros tipos de proteína”, explicou Adriana Gama, técnica do IBGE. O salto de mais de 7% no abate de suínos no ano passado foi puxado pelo consumo de embutidos, que atendem mais à preferência dos brasileiros do que a carne de porco em si.
“Ao contrário do que acontece nos países europeus, os brasileiros consomem mais os embutidos do porco. Não consomem tanto a carne”, lembrou Adriana. “Mas esse aumento no abate se deve também a uma campanha que vem desmistificando a carne de suínos, mostrando que o animal é mais leve, menos prejudicial à saúde do que se pensava. Há uma conscientização maior sobre a carne suína.”
Enquanto a demanda interna pela carne brasileira foi pautada pelo preço, a demanda externa sofreu o impacto da crise internacional. Os problemas econômicos que assolam, principalmente, países da União Europeia levaram a uma retração da exportação de bovinos e suínos brasileiros. A redução no volume exportado de carne bovina foi de quase 14% em 2011, enquanto o recuo na carne suína chegou a 6%, na comparação com 2010. “Houve redução significativa no volume de exportação. O problema foi causado um pouco pelo embargo da Rússia à carne brasileira, mas é efeito também da própria crise lá fora. Em tempos difíceis, faltam recursos para comprar proteína”, afirmou Adriana.

Fonte: Jornal do Comércio | Rafael Vigna