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A visão de Aldo Rebelo sobre o Código Florestal

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Fonte: Monitor Mercantil | Sérgio Barreto Motta

Informa a grande imprensa que 79% dos brasileiros são contra o novo Código Florestal. Se a pergunta for: "Você é a favor da destruição da floresta?", como se imagina, é certo que quase 100% estariam do mesmo lado. Mas essa não é a realidade. Os dados sobre desmatamento na Amazônia Legal confundem o público: Amazônia Legal é uma área criada por políticos, para receber estímulos fiscais, que excede em muito a Floresta Amazônica. O presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, declarou que se fossem construídas todas as hidrelétricas da Amazônia, o bioma seria atingido em…não mais que 1% de sua área. Ele mesmo acentuou que, por pressões políticas, no máximo 60% dessas obras deverão ir à frente.

De acordo com explicações do insuspeito deputado do PCdoB – que jamais se alinhou com a bancada ruralista, mas fez estudos e viagens para atuar como relator não omisso da questão – o problema está sendo visto com distorções pela grande imprensa e, portanto, pela opinião pública. Em primeiro lugar, explica Aldo, a chamada "anistia aos desmatadores" nada mais é do que não punição a quem estava plenamente de acordo com a lei até 1998. Os "desmatadores" são agricultores que cumpriam a lei vigente até 1998. Afirma Aldo que os fundamentalistas ecológicos repetem slogans de entidades internacionais desvinculadas da realidade brasileira. Em depoimento ao Canal Livre, da TV Band, disse:

– WWF e Greenpeace estão queimadas junto a países responsáveis, por suas ações sectárias. Aqui, o então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, recebeu dirigentes do WWF no dia da votação na Câmara, um absurdo. Na verdade, o código atende ao povo que trabalha, que gera bilhões de dólares em exportações e fornece alimentos para o Brasil e o mundo. Somos a quarta maior produção agrícola mundial, mas muita gente quer evitar que cheguemos à liderança. O Brasil teme impor sua própria política e, como um adolescente tímido, fica pasmo quando surge, da Europa, um diretor de cinema ou entidade que nos adverte – declarou.

Garante Aldo que o novo código fará do Brasil um dos países que mais respeita a ecologia no mundo. Lembrou que, na consulta pública em Mato Grosso, feita em um estádio, estavam presentes milhares de pessoas, incluindo governador, prefeitos, senadores e deputados. Afirma que os ecologistas radicais chamam a agricultura de "passivo ambiental", o que denota desprezo ao trabalho causticante no campo. Sobre campanhas para que não sejam consumidos produtos de áreas desmatadas, ironizou:

– O mesmo poderia se aplicar aos vinhos franceses. Toda área agrícola já foi floresta, antes.

Lembrou que, sem o código, 90% dos produtores brasileiros e, no Rio Grande do Sul, 98%, ficariam passíveis de multas pelo Ibama. Informou que viu, no Sul, agricultores que usam momentos de baixa vazão nos rios para plantar no próprio leito, sem causar qualquer problema ao ambiente, obviamente. O ponto mais absurdo, segundo Rabelo, é dizer que se quer dar um golpe e transferir a competência de controle para os estados. Informa que o artigo 24 da Constituição já permite que isso ocorra, cabendo aos estados e municípios legislar sobre ambiente, desde que não haja conflito com a União.

Revelou que, diante de pressões irracionais, o senador Luiz Henrique, quando era governador de Santa Catarina, ameaçou usar a polícia estadual contra fiscais federais. Declarou que, em Roraima, com tantas reservas indígenas e parques, só 20% da área agricultável podem ser usados para se plantar e acentuou:

– Os índios não ficam nas reservas. Vivem de bolsa família na periferia pobre das cidades.

A Associação Brasileira da Indústria Gráfica revela que 100% do papel usado no país é de florestas renováveis. Em recente contato com esta coluna, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, declarou que o Brasil poderia multiplicar sua produção sem ocupar mais um metro quadrado de floresta. Para isso, bastaria se acentuar a aplicação tecnológica na área atual e ocupar-se terras devolutas, que eram consideradas inúteis ou que foram abandonadas após exaustão e hoje podem ser recuperadas com novos fertilizantes.

Bruno Rocha é eleito

Após 12 anos à frente do Sindicato das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Hugo Figueiredo optou por não se candidatar a mais um mandato. Com isso, o novo presidente é Bruno Lima Rocha, diretor de Relações Institucionais da Wilson, Sons e que, anteriormente, foi diretor administrativo e financeiro da Norsul, que era presidida por Hugo. Portanto, a transição se dará em clima de harmonia, uma vez que Hugo e Bruno são amigos e companheiros de trabalho. A posse formal será realizada em breve.

Em contato com a coluna, Bruno Lima Rocha confirmou as duas prioridades da classe, a curto prazo: a aprovação do Pró-REB e a questão do mercado de trabalho. Há mais de uma década, o governo aprovou o Registro Especial Brasileiro (REB), destinado a dar estímulo a empresas nacionais de navegação marítima.

No entanto, o projeto original teve uma série de benefícios cortados e, quando sancionado, o REB trouxe poucos incentivos à navegação, mas insuficientes para reverter a situação de perda de competitividade em relação ao mercado internacional.

Os dados mostram que o custo de operação de um navio brasileiro é 100% superior ao de países tradicionais e a variação é ainda maior em comparação com bandeiras de conveniência. E, no duro mercado internacional, verifica-se que mesmo nações de tradição registram seus navios em "pavilhões baratos" ou bandeiras de conveniência.

Como resultado da atual situação, o Brasil hoje transporta menos de 1% de seu expressivo comércio exterior. Não há um navio porta-contêineres nacional operando em rotas internacionais.

Um projeto está em estudo na Casa Civil da Presidência – com conhecimento direto da presidente Dilma – que pretende dar sangue novo ao REB, através do Pró-REB, com desoneração da folha de salários e possível imposição de subsídios.

Honduras

Um executivo de seguros que esteve recentemente em Honduras achou o país sem clima para negócios. Afirmou que em frente ao hotel havia um tanque de guerra. Muitas pessoas armadas eram vistas pela capital. Em vista disso, diversos empresários anteciparam sua data de saída e marcaram reuniões em Miami – cidade para a qual teriam obrigatoriamente de passar, para pegar o vôo de volta ao Brasil.

Rápidas

Na próxima terça-feira, a comunidade marítima homenageia a empresa Buarque & Cia. Ltda., que completou 100 anos de atividades ininterruptas na área de navegação. O evento será na Associação Comercial do Rio. O diretor de Portos e Costas da Marinha, vice-almirante Leal Ferreira, estará presente *** Sábado, no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, será realizado o Simpósio Pré e Pós-Operatório em Oncologia, Gastrenterologia e Cardiologia *** O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) realiza nesta quarta-feira, no auditório Anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília, sua XXIII Reunião Plenária *** Começa nesta quinta-feira, no Caesar Business do Centro de São Paulo, o seminário Competitividade: O Futuro Perfil da Transformação Brasileira de Plásticos *** O fundo de pensão Previndus obteve, em 2010, rentabilidade bruta de 8,24%, 4,25 pontos percentuais abaixo da meta atuarial. A entidade aplica 76% do bolo em renda fixa e 23,5% em renda variável *** Quem chega nesta quinta-feira ao Brasil é o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. Além de falar com Dilma, terá de dialogar com Sarney e Collor *** A terça-feira foi de bolsa em alta e dólar em queda.