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A mais suíça das empresas chinesas

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Luke MacGregor/Bloomberg

Michel Demaré: Syngenta vai ajudar a modernizar a agricultura chinesa

A suíça Syngenta, gigante global de defensivos e sementes que está sendo adquirida pela ChemChina no maior takeover já realizado por uma companhia chinesa no mercado internacional, vai ajudar a modernizar o setor agrícola do país asiático e, ao mesmo tempo, continuará a ser uma empresa fortemente "ocidental".

A afirmação foi feita ontem pelo presidente do conselho de administração da múlti suíça, Michel Demaré. Segundo ele, com os novos controladores a Syngenta se tornará "uma parceira do governo chinês na modernização da agricultura chinesa". Na semana passada os acionistas da Syngenta aprovaram o takeover de US$ 43 bilhões, que foi anunciado há mais de um ano e é parte de uma onda de grandes fusões no segmento de defensivos e sementes.

Demaré lembrou que a China depende muito da importação de produtos agropecuários e que a produtividade agrícola chinesa ainda é 30% ou 40% menor que a de países ocidentais. A região da Ásia-Pacífico responde hoje por apenas 15% das vendas regionais da Syngenta, mas ainda não foram estabelecidas metas para a ampliação das vendas. "O objetivo é modernizar a agricultura e melhorar a produtividade."

Mas apesar do foco na expansão na China, Demaré disse que os novos controladores da Syngenta estarão sob pressão para operá-la como uma companhia claramente suíça, respeitando promessas sobre governança corporativa e independência administrativa.

A Syngenta "é muito maior do que qualquer outra aquisição que eles já fizeram… o que também a torna extremamente visível", afirmou Demaré. "Isso nos dá ainda mais garantia de que a governança será perfeita."

Sob o acordo de takeover, a companhia suíça recebeu a garantia da ChemChina de que possíveis sensibilidades políticas locais serão contidas, o que pode ajudar a explicar os motivos pelos quais o negócio sofreu pouca resistência dos políticos suíços.

Entre os detalhes negociados, ficou acertado que a sede da Syngenta permanecerá na Basileia e que seu orçamento para pesquisas e desenvolvimento estará protegido. No entanto, esses acordos vão terminar após a relistagem de uma participação minoritária da Syngenta em bolsa de valores, que a ChemChina pretende fazer nos próximos cinco anos. A listagem de 30% das ações da companhia suíça poderá levantar US$ 13 bilhões.

Em tese, a ChemChina poderá decidir listar as ações da Syngenta em Xangai e depois transferir a sede da companhia para lá. Mesmo assim, Demaré confia que a Syngenta continuará sendo uma "companhia ocidental". Ele disse que a ChemChina estava "muito ligada à Suíça" e que comprou a companhia por seu conhecimento e know-how.

"Eles não poderão começar a mudar todo o centro de pesquisas da Suíça para Pequim porque 95% das pessoas provavelmente não iriam junto". Demaré também mencionou a estratégia de não participação da ChemChina em aquisições anteriores feitas na Europa.

Uma relistagem das ações da Syngenta não deve acontecer em menos de um ano, acrescentou o executivo. A prioridade será dada para uma listagem na própria Suíça, embora isso possa ocorrer em mais de uma praça – e a China seria outra opção.

A compra da Syngenta é uma das três megafusões que estão remodelando o segmento global agroquímicos e sementes. As outras são a fusão de US$ 147 bilhões das americanas Dow e DuPont e a aquisição da americana Monsanto pela alemã Bayer, por US$ 66 bilhões.

A Syngenta concordou em ser adquirida pela ChemChina no começo deste ano, após afastar abordagens hostis da Monsanto. Demaré disse que a oferta em dinheiro da ChemChina foi superior porque apresentou poucas sobreposições com os negócios da Syngenta e porque será uma "aquisição de crescimento". Também não resultará em perda de empregos.

A ChemChina pretende manter a atual equipe gestora da Syngenta. O conselho da companhia será presidido por Ren Jianxin, presidente do conselho da ChemChina, e Demaré ficará com a vice-presidência. Além de Demaré, haverá três outros diretores independentes, e os votos de apenas dois deles serão necessário para vetar decisões estratégicas ou mudanças de governança. (Tradução de Mario Zamarian)

Fonte : Valor